Apesar das divergências entre pecuaristas, governo do Paraná e Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) sobre a existência da febre aftosa no Estado, o secretário de Sanidade Agropecuária (DSA) do Mapa, Gabriel Maciel, disse ontem que o assunto está encerrado. Nem mesmo o resultado dos exames de necropsia feito em parte do rebanho paranaense suspeito de ter a doença deverá provocar qualquer mudança na atuação Mapa.
''O resultado já está definido, não vai alterar o que já foi realmente identificado e comunicado'', declarou Gabriel Maciel. Ele esteve ontem em Londrina para participar do Fórum de Secretários Estaduais de Agricultura, realizado durante a 46 Exposição Agropecuária e Industrial de Londrina.
O Mapa confirmou sete focos em fazendas no Paraná baseado apenas na vinculação epidemiológica, uma vez que mais de 200 animais foram trazidos do Mato Grosso do Sul; e nos exames de sorologia, que apresentaram reação positiva ao vírus. Desde que foi levantada a suspeita, no dia 21 de outubro, um foco foi confirmado em outubro e outros seis em fevereiro.
Apesar das divergências, a atuação do órgão estaria concentrada no período de vazio sanitário, que já foi iniciado nas propriedades. A partir do final de setembro, o Estado poderá retomar o status de área livre de aftosa com vacinação.
Maciel informou que a confirmação do foco no Paraná ocorreu porque foram trazidos ao Estado animais oriundos de Eldorado (MS), onde foram registrados os primeiros casos da doença. No entanto, informado de que três propriedades consideradas focos - Pedra Preta (Maringá), Alto Alegre e São Paulo (Loanda) - não compraram animais no leilão realizado em Londrina que comercializou bovinos do MS, ele se limitou a dizer que o foco ''não é fácil de concluir''. ''Trabalhamos com dados reais, analisamos muitas coisas'', afirmou. Segundo ele, a concordância com os exames de necropsia só ocorreu para ''não prejudicar ainda mais o Estado e o País''.
Aliás, o ministério não acredita na possibilidade de que a necropsia aponte realmente se houve sinais clínicos nos bovinos, se apenas houve a infecção ou se não houve circulação viral, como dizem os pecuaristas. ''Já faz bastante tempo que houve o evento, foi em outubro do ano passado, concordamos com esses exames para acabar com qualquer divergência'', comentou. Para o Mapa, a confirmação dos focos foi baseada nas leis da Organização Internacional de Saúde Animal (OIE), da qual o Brasil é membro.
Maciel ainda disse que todos os exames colhidos de bovinos apresentaram reação positiva nos exames de sorologia superior a 12%. No entanto, a informação é contestada pela assessoria jurídica dos pecuaristas, que afirma que algumas propriedades apresentaram reação inferior a 1%, como é o caso de, pelo menos, duas fazendas: Cesumar (Maringá) e Santa Izabel (Grandes Rios). Ele declarou também que não iria ''polemizar'' sobre a inexistência de sinais clínicos no rebanho. ''Esse assunto já nos deu muito trabalho e já chegamos a um processo conclusivo'', observou.
Sobre a demora para confirmar os focos, o técnico disse que o trabalho é baseado em amostragem e que o processo suscitou dúvidas em um processo tumultuado. ''Houve desencontros de informações desde o princípio e, por isso, nós tivemos preocupação, pode ser até por excesso, mas queríamos esgotar toda a possibilidade de investigação, de análise para que a gente tivesse um resultado conclusivo, só que isso demorou um pouco mais do que a gente esperava, mas temos toda a certeza de que os procedimentos foram corretos'', resumiu.
Indenização - O Mapa já disponibilizou os recursos - de R$ 2,5 milhões - para indenizar os pecuaristas que tiveram seus rebanhos sacrificados. De acordo com Maciel, a verba está na superintendência do órgão no Estado, mas falta apenas a liberação da assessoria jurídica, que já analisa os processos. Os pagamentos das indenizações são considerados prioridades e, por isso, devem ser feitos rapidamente, até a próxima semana, conforme o chefe da DSA.

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