O risco da entrada do vírus da febre aftosa vindo do Paraguai através do Lago de Itaipu está preocupando os criadores. Técnicos da Secretária Estadual de Agricultura e Abastecimento (Seab) temem que a doença seja trazida em animais contrabandeados em barcos e depois carregados em veículos nos acessos ilegais na margem brasileira.
O temor resultou no fechamento de pelo menos 20 caminhos clandestinos existentes na faixa de conservação ambiental somente em Marechal Cândido Rondon (174 quilômetros ao norte de Foz do Iguaçu). O fechamento ocorreu nas últimas três semanas.
O último bloqueio ocorreu ontem pela manhã. Uma pá-escavadeira interditou uma pequena estrada, usada normalmente para o transporte de veículos roubados, madeira e café.
Os fechamentos foram determinados pela Secretaria Municipal de Agricultura de Marechal, a pedido do escritório regional da Seab. O órgão estadual recebeu cinco denúncias de vizinhos ao reservatório contra um transportador de cargas que estaria atravessando carne contrabandeada à noite, conta a médica-veterinária Miriam Adriana Bruggemann, única representante da Seab no município.
A médica-veterinária disse à Folha ter o nome do acusado, mas prefere não divulgá-lo para evitar complicações legais. Conforme ela, a prisão poderá ser feita somente em caso de flagrante. ‘‘Estamos programando a realização de barreiras fora do horário de expediente a fim de surpreender os infratores’’, antecipa.
Miriam explica que a abertura das valetas na margem do Lago visa impedir o suposto carregamento de gado contrabandeado ‘‘escondido’’ dentro da faixa de proteção ambiental - de 100 a 300 metros de extensão - coberta de árvores. Com o fim dos acessos ilegais, o contrabandista seria obrigado a expor em áreas de fácil fiscalização.
Apesar do abertura dos buracos, Miriam admite que a fiscalização é precária nas margens do Lago de Itaipu dentro de sua jurisdição (Marechal Cândido Rondon, Entre Rios do Oeste, Pato Bragado e Mercedes) devido a falta de fiscais na região. Cada cidade precisaria de uma equipe da Seab para garantir o mínimo de segurança as 56 mil cabeças de gado na região .
‘‘É díficil combater o vírus porque ele pode ser transportado pelo vento numa extensão de 50 quilômetros. Fazemos nossa parte, incentivando os criadores a vacinarem o gado e fiscalizando o transporte de animais’’, argumenta.
A preocupação da médica-veterinária e do secretário municipal de Rondon, Iomar Bavermann, sensibilizou a Secretaria Estadual de Agricultura, em Curitiba. Ontem à tarde, uma equipe de técnicos (deslocados de diferentes cidades) chegou no município para ajudar na fiscalização à beira do Lago de Itaipu.

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