Bruxelas A Comissão Européia, órgão executivo da União Européia (UE), decretou ontem o embargo à carne dos Estados brasileiros de Mato Grosso do Sul, Paraná e São Paulo, após a descoberta do foco de febre aftosa no município sul-matogrossense de Eldorado. Além dos membros da UE, vários outros países anunciaram a mesma medida.
A decisão da Comissão Européia de proibir as importações de carne brasileira foi ''apoiada pelo comitê veterinário que reúne os 25 países membros da UE'', segundo um comunicado do Executivo. A proibição será oficializada nos ''próximos dias'' e afetará todas as carnes produzidas a partir de 30 de setembro, indicou a Comissão.
Nos próximos dias, a União Européia ainda promete publicar um relatório sobre a situação fitossanitária no Brasil. A comissária de Agricultura da União Européia, Mariane Fischer Boel, explicou que o Brasil não deve considerar a medida como uma ação protecionista. ''A situação fitossanitária da Europa é crucial e precisamos nos proteger'', afirmou a comissária.
O governo brasileiro confirmou na segunda-feira a existência de um foco de febre aftosa na Fazenda Vezozzo, em Eldorado, ao sul do Estado. Segundo o Ministério da Agricultura, a doença afetou 140 animais desta propriedade, e já foram adotados os procedimentos sanitários de emergência.
As autoridades brasileiras ordenaram o sacrifício de todo o rebanho, de 582 cabeças de gado da Vezozzo, e fizeram as inspeções em outras propriedades em um raio de 25 quilômetros do local afetado.
Além disso, pelo menos seis países, entre eles a Rússia, principal mercado das carnes brasileiras, suspenderam na terça-feira suas compras após a descoberta deste foco de aftosa no Mato Grosso do Sul, o segundo maior exportador de carne do País.
Os países que já oficializaram o embargo à carne brasileira são Uruguai, Argentina e Chile, sendo que estes dois últimos estão restringindo apenas as importações de carne do Mato Grosso do Sul. A África do Sul também decretou a proibição das importações do produto.
O Brasil é o primeiro exportador mundial de carne bovina. Em 2004, vendeu para o exterior 1,9 milhão de tonelada do produto, garantindo um total de US$ 2,5 bilhões ao País.
Na edição de ontem da Folha, o economista do Sindicato das Indústria de Carnes e Derivados do Paraná (Sindicarnes-PR), Gustavo Fanaya, havia afirmado que, se a UE tomasse a decisão de embargar as importações, ''as consequências poderiam ser dramáticas'' porque 90% do complexo da carne exportado pelo Brasil são dos três Estados. Segundo Fanaya, o Paraná, assim como o Brasil, vende metade de sua produção para Europa. ''Se o embargo se confirmar, vai ser uma coisa difícil de se contornar. A União Européia é um referencial'', disse.

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