AFTOSA - Governo esclarece compradores de carne
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segunda-feira, 13 de setembro de 2004
Fabíola Salvador<br> Agência Estado 
Brasília - A descoberta de um foco de febre aftosa no rebanho nacional, desta vez no município de Careiro da Várzea, na região leste do Amazonas, fez o governo federal agir rápido para evitar problemas comerciais com os principais importadores de carne do Brasil. Em julho, o registro de um foco da doença no município de Monte Alegre, no Pará, fez Rússia e Argentina suspenderem as importações de carne do Brasil.
''Para evitar o que aconteceu da outra vez, enviamos informações detalhadas sobre o foco de aftosa do Amazonas'', explicou o coordenador do Programa de Sanidade do Departamento de Defesa Animal do Ministério da Agricultura, Jamil Gomes de Souza. A região do Pará, onde foram encontrados na época os animais doentes, não tem autorização para exportação, mas a falta de informações detalhadas sobre o foco fez os dois países fecharem suas portas para as carnes do Brasil.
Para evitar a propagação do foco de febre aftosa para regiões que fazem divisa com o Amazonas, o governo proibiu ontem o trânsito de animais para fora do Estado. Em nota, o ministério informa que uma barreira fluvial foi montada na Vila do Amapari. ''Interditamos o trânsito de animais para o Baixo e Médio Amazonas'', informou o delegado federal da Agricultura no Estado, José Rogério de Vasconcellos de Araújo.
Dessa vez, material com informações técnicas sobre o foco de Careiro da Várzea foi encaminhado à Organização Mundial de Saúde Animal (OIE), ao Centro Pan-Americano de Febre Aftosa (Panaftosa), aos países vizinhos e aos países e blocos econômicos com os quais o Brasil mantém intercâmbio comercial. No documento, o Brasil argumenta que a região pertence ao Circuito Pecuário Norte, onde o sistema de defesa sanitária animal está em fase de adoção, e tem classificação de alto risco para a doença.
O presidente do Fórum Nacional de Pecuária de Corte da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Antenor Nogueira, ressaltou que o governo deixou ''mais do que explicado que a região do foco é de difícil acesso e que barreiras naturais rios, lagos, floresta amazônica e a ausência de estradas de acesso impedem a propagação da doença''.


