Africanos vêm ao PR aprender sobre a cultura da mandioca
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segunda-feira, 27 de outubro de 2003
Carolina Avansini<br> Reportagem Local 
Com o objetivo de melhorar o cultivo da mandioca em seus países, 18 engenheiros agrônomos e técnicos agrícolas de cinco países africanos e Timor Leste (na Ásia) frequentam, no Brasil, o Segundo Curso Internacional de Cultivo e Processamento da Mandioca. Ontem, eles participaram de atividades em Paranavaí (noroeste do Estado). Hoje, devem visitar fecularias e propriedades rurais na região de Cascavel. Os africanos iniciaram o curso no dia 6 de outubro, na Embrapa Mandioca e Fruticultura, sediada em Cruz das Almas, na Bahia.
O pesquisador Joselito Motta, da Embrapa, informou que na primeira etapa do curso os participantes aprenderam tecnologias para produção, processamento e utilização do produto na alimentação humana e animal. No Paraná, onde se concentra o maior número de fecularias do País, eles tomariam contato com a produção industrial de derivados da mandioca.
Por suas características rústicas e boa adaptação ao clima seco e solos pobres, a mandioca tem grande importância alimentar em todos os países representados no curso. Na parte norte de Moçambique, nação do engenheiro agrônomo Constantino Cuambe, é a segunda principal cultura. ''Na província de Nambula, maior produtora do país, é a base da alimentação da população'', contou o técnico do Instituto Nacional de Investigação Agronômica.
A raiz, segundo ele, é produzida em pequenas propriedades familiares que fazem a farinha de forma artesanal. Na Bahia, Cuambe aprendeu sobre técnicas de produção que serão repassadas aos agricultores. Ele se interessou especialmente pelas pequenas fecularias e fábricas de alimentos derivados (como biscoitos) geridos por duas ou três pessoas. ''Os camponeses africanos poderiam produzir muito mais subprodutos'', considerou.
A realidade do Paraná, onde conheceram grandes fecularias, é mais difícil se ser desenvolvida no continente. ''Exige mais tempo e investimentos. Mas a visita nos despertou a vontade de organizar o sistema produtivo.''
O curso foi patrocinado pela Jica (organismo de cooperação internacional sediado no Japão) e pela Agência Brasileira de Cooperação (ABC), vinculada ao Ministério de Relações Exteriores. No Paraná, o curso recebeu o apoio da Emater, Associação Brasileira dos Produtores de Amido de Mandioca (Abam) e do Sindicato Rural de Paranavaí.


