Mário CésarO ‘pai’ do SimplesAfif Domingos: ‘‘Modelo que mais se aproxima do sonho brasileiro de conviver com um único imposto’’Pequenos e microempresários precisam cobrar a implantação e ficar atentos no processo de regulamentação do Simples em seus estados e municípios, porque é vantajosa a adesão e porque existe um corporativismo contrário a esse imposto simplificado no País. Foi o que disse ontem em Londrina o presidente da Confederação das Associações Comerciais do Brasil, Guilherme Afif Domingos.
Em visita à Associação Comercial e Industrial, Afif, considerado o ‘‘pai’’ do Simples, falou que o maior entrave para a regulamentação em estados e municípios são os próprios estados e municípios, ou seja, o Poder. ‘‘O fato é que o Simples mexe na espinha dorsal do sistema tributário brasileiro; é a revolução ideal, mas hoje politicamente impossível.’’ Nem a Receita Federal tem interesse em fiscalizar a matéria, segundo ele.
Afif Domingos denuncia o que chama de ‘‘reação das máquinas fiscais’’, incluindo a figura do contador. ‘‘É uma mudança, uma mudança que provoca todo tipo de reação. Temos, por exemplo, o ‘silêncio do contador’, que hoje é muito mais ‘darfeiro’ (manuseia o Darf) que contador; o Simples praticamente acaba com a sua função’’.
O Simples, que para ele é o que mais se aproxima do sonho do brasileiro de conviver com um único imposto, não muda em nada a estrutura tributária a nível federal. ‘‘Ao invés de pagar um Darf em cada uma das repartições, o empresário faz uma só operação sem alterar o conteúdo de impostos e contribuições; e a União fica encarregada de repassar a arrecadação’’. Na visão dele, o sistema nasce perfeito e se apresenta ‘‘manco’’.
Ele explica: a regulamentação do tratamento diferenciado para pequenas e microempresas foi feita na esfera federal e agora precisa ser desmembrada nos estados e municípios. ‘‘Sem a adesão deles não teremos resultado; e não podemos obrigar estados e municípios a aderirem ao Simples’’, afirmou, dizendo que de janeiro até agora, período de implantação do sistema, quase 1 milhão de empresas optaram por ele no País, a nível federal. É um número baixo, mas que não deixa de ser interessante quando se sabe que existem dificuldades na difusão - segundo Afif.
Ele garante que a arrecadação sobe com o Simples - ao contrário do que se comenta no País -, porque ele incorpora a economia informal ao mercado de produção. Londrina ainda não regulamentou o Simples.

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