Afetado por greve e incerteza eleitoral, PIB cresce 0,2% no segundo trimestre
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sexta-feira, 31 de agosto de 2018
Agência Estado 
Rio e São Paulo - Sob o peso da incerteza eleitoral e atrapalhada pela greve dos caminhoneiros do fim de maio, a economia brasileira ficou praticamente estagnada no segundo trimestre. O crescimento do PIB (Produto Interno Bruto), valor de todos os bens e serviços produzidos na economia), foi de 0,2% em relação aos três primeiros meses do ano. No primeiro trimestre, o crescimento foi revisado pelo IBGE de 0,4% para apenas 0,1%.
Apesar de estar dentro das expectativas dos economistas, o número mostra uma economia que não vem conseguindo ganhar tração para um crescimento mais robusto. E isso se reflete nas projeções para o crescimento econômico do ano. Após a divulgação do resultado do segundo trimestre, algumas instituições reduziram ainda mais suas previsões.
É o caso da consultoria Rosenberg, que reduziu sua projeção para o crescimento da economia em 2018 de 2% para 1,5%. Ou da Parallaxis, que mudou sua previsão de 1,4% para 1,2%. Pesquisa realizada na quinta-feira (30) pelo Projeções Broadcast com 22 instituições mostra uma estimativa de 1,3% para o PIB neste ano. No Boletim Focus, do Banco Central, a projeção divulgada no início da semana era de 1,47% - mas já foi de 2,87%.
Na passagem do primeiro para o segundo trimestre, a paralisação das estradas pelos caminhoneiros afetou negativamente diversos setores econômicos, como a indústria da transformação (queda de 0,8%), os serviços de transporte (-1,4%) e o comércio (-0,3%). Também foram afetados o consumo das famílias, que ficou estagnado, e os investimentos, com tombo de 1,8%, mas esses itens já vinham em ritmo mais lento.
Conforme o economista-chefe do Banco Safra, Carlos Kawall, sem a greve dos caminhoneiros, o PIB do segundo trimestre poderia ter crescido o dobro, mas esse não é o único problema da economia. "A recuperação é muito lenta e se soma às incertezas eleitorais, que têm segurado o investimento."
Para Rodrigo Nishida, da LCA Consultores, o resultado do PIB de 2018 já está dado e deverá encerrar o ano com avanço entre 1,5% e pouco menos de 2%. O cenário inclui um ritmo um pouco melhor para o consumo das famílias, com a liberação dos recursos do PIS/Pasep, uma melhora na agropecuária e um bom desempenho na indústria extrativa mineral.
Por outro lado, o resultado eleitoral é a grande incógnita para 2019. "Projetamos crescimento de 3% no próximo ano, no cenário base, que considera um desfecho 'benigno' para as eleições", disse Nishida. O problema, na visão da LCA, é que não parece haver meio termo no cenário econômico. Se o desfecho das eleições for "desfavorável", ou seja, se vencer um candidato que não seja comprometido com reformas e defenda propostas populistas, há risco até de volta da recessão, disse.


