Aeronáutica aprova área para o Arco Norte
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quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013
Nelson Bortolin<br>Reportagem Local 
A área sugerida para o projeto Arco Norte, em Londrina, que será sobrevoada hoje à tarde por dois representantes da Agência dos Estados Unidos para o Comércio e Desenvolvimento (USTDA), tem 535 hectares e foi considerada pelo antigo Departamento de Aviação Civil (DAC) como compatível para a instalação de uma aeroporto de carga.
Entre 25 e 29 de abril de 2005, ela foi visitada por quatro técnicos do Instituto de Aviação Civil (IAC), que pertencia ao DAC. Um parecer técnico assinado por eles foi enviado ao Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul), dia 5 de agosto daquele ano.
No documento, os técnicos escrevem que a topografia local é acidentada, "porém apresenta um platô central com altitude de 640 metros, favorável à implantação da Área Terminal do Aeroporto".
O relatório diz que os ventos predominantes estão orientados na direção sudeste para noroeste. "A média das observações ocorridas nos últimos anos apresentou ventos de baixa velocidade, com cerca de quatro nós. Assim, a orientação da futura pista enquadra-se na dos ventos predominantes."
Ainda dizem que, pela proximidade da área urbanizada de Londrina (21 km do centro), o Sítio Fazenda Helena, como o local é denominado no documento, "oferece as condições necessárias para a implantação da infraestrutura básica compatível com o porte do empreendimento".
O relatório ressalta que o projeto Arco Norte compreende a implantação de duas
pistas de pouso e decolagem paralelas com afastamento mínimo entre elas de 210 metros. No total, o empreendimento terá cerca de 8 quilômetros de comprimento e 1,2 mil metros de largura. O aeroporto irá permitir, segundo o relatório, a operação de aeronave cargueira com envergadura de até 52 metros.
Em dois momentos do trecho, o parecer cita a questão ambiental. "No processo de licenciamento ambiental, o novo aeroporto estará sujeito a algum tipo de medida compensatória em razão de sua proximidade à Zona de Amortecimento do Parque Estadual da Mata dos Godoy."
O documento ainda diz que o Ribeirão dos Apertados, que passa na região, deverá ser monitorado, a fim de "se evitar a degradação da qualidade das suas águas no decorrer do tempo".
O projeto enfrenta resistência por parte do Ministério Público. Segundo a promotora do Meio Ambiente, Solange Vicentin, a legislação ambiental impede a construção do projeto no local por ser uma área de amortecimento da Mata dos Godoy.
O Arco Norte é um projeto de desenvolvimento regional que envolve, além de Londrina, os municípios de Cambé, Rolândia, Arapongas, Apucarana, Assaí, Jataizinho e Ibiporã, e tem como âncora um aeroporto internacional de cargas.
O ex-presidente do Ippul e idealizador do projeto, Luís Figueira Penteado de Mello, diz que o grupo do IAC veio a Londrina a convite do instituto. "Nossa ideia era fazer o projeto na região, não necessariamente em Londrina", afirma.
Segundo ele, a equipe visitou áreas desde Maringá a Cornélio Procópio. E que só a da Zona Sul de Londrina foi considera ideal para o empreendimento. "Já havíamos visitados muitas áreas e o grupo estava cansado. A última que mostrei foi essa perto da Mata dos Godoy. Eles ficaram encantados com o local", conta.
De acordo com Figueira, o instituto vinha prospectando uma área que pudesse receber um aeroporto de carga que fosse alternativa a Viracopos, de Campinas. A reportagem não conseguiu contato com nenhum dos técnicos que assinam o documento.
A equipe da USTDA vem a Londrina a convite do secretário estadual de Infraestrutura e Logística, José Richa Filho. A ideia é que os norte-americanos realizem o estudo de viabilidade do empreendimento e ajudem na busca de recursos para viabilizá-lo.


