O advogado Sérvio Borges, que representa os proprietários e gerentes de postos, disse ontem que vai pedir a suspeição da juíza da 5 Vara Criminal Oneide Negrão, logo depois que ele voltar de Curitiba, para onde embarca hoje a fim de requerer habeas corpus para os seus clientes.
Segundo Borges, o pedido de suspeição será baseado nas declarações que Oneide Negrão deu à imprensa ontem. ''A juíza disse que está defendendo a população e que a gasolina de Londrina é mais cara. Ela enveredou para a acusação e já pré-julgou a causa. No meu modo de entender, tomou partido'', disse. ''Vou fazer o pedido direto para a juíza, mas se ela não atender, vou requerer ao Tribunal de Alçada.''
A juíza Oneide Negrão disse ontem que o advogado está defendendo os seus clientes, mas que ela defende os interesses da comunidade de Londrina. ''Em agosto, Londrina era a cidade que vendia combustível com preço mais alto no Brasil, tanto com relação à gasolina como ao álcool.''
A juíza se baseou em informações da Secretaria de Direito Econômico. ''Os documentos vieram de um órgão competente. A margem da média apurada apresentou elevação em relação às demais cidades brasileiras. Isso foi monitorado em agosto'', afirmou.
''Quem souber onde eles (os réus) estão, indique, porque toda a comunidade foi lesada no mês de agosto'', disse Oneide. Ela afirmou que vai marcar o interrogatório para a próxima semana. ''Se eles aparecerem, bem. Se não, correrá à revelia.''
A Folha tentou localizar todos os acusados ontem, sem sucesso. Os telefones celulares estavam desligados ou com acesso apenas à caixa postal. Funcionários dos postos disseram não saber informar onde estavam os seus patrões. (C.L.)

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