Procurado pela reportagem ontem à noite, o advogado Ricardo Jorge Rocha Pereira, que representa os quatro pecuaristas que, inicialmente, foram indicados como suspeitos de terem animais com a doença no Paraná, disse que irá incluir o pecuarista André Carioba Filho, proprietário da Fazenda Cachoeira na ação judicial que tramita na 3 Vara Federal de Londrina. A fazenda de Carioba está sendo apontada pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) como responsável pelo foco da doença no Estado. A Folha não conseguiu falar com o pecuarista ontem.
Além de pedir a inclusão nos autos dos laudos do Lanagro dos animais da propriedade, o advogado pretende pedir uma perícia judicial em todos os bovinos das 15 fazendas interditadas. ''A Justiça vai ter que intervir nessa questão porque não podemos confiar nos laboratórios do governo que divulgam laudos contraditórios'', afirmou. Na sua avaliação, os pecuaristas estão tendo os direitos usurpados ao serem privados das informações e dos laudos dos seus próprios rebanhos.
Na Fazenda Cachoeira, conforme divulgou o Mapa, foram realizados apenas exames de sorologia, o Elisa e o ITB. Esses exames podem apresentar reagentes devido aos anticorpos criados por animais já vacinados. A comprovação teria que ser feita pelo Pro-bang, com a análise do líquido esofágico-faríngeo, o que não ocorreu ainda.
O Paraná, por exemplo, é reconhecido como área livre de aftosa com vacinação. Portanto, como a imunização continua a ser feita no rebanho, os exames de sorologia podem criar resultados falsos positivos. E, por isso, é necessário a comprovação com o Pro-bang.
Conesa - O presidente da Sociedade Rural do Paraná, Edson Neme Ruiz, preferiu não dar qualquer declaração antes de ler o comunicado oficial do ministério. No entanto, ele garantiu que o assunto será discutido hoje durante uma reunião ordinária do Conselho Estadual de Sanidade Animal (Conesa). O encontro será realizado em Curitiba, na sede da Seab, às 9 horas. ((F.M.)

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