Curitiba - Em defesa do frigorífico Margen, o advogado Aibes Alberto da Silva, disse ontem por telefone à Folha, que a empresa nunca descontou o Funrural em nota fiscal dos pecuaristas. Ele desafiou a qualquer um a apresentar nota fiscal indicando o desconto. De acordo com Silva, o Margen tem um mandato de segurança (já transitado em julgado junto ao Supremo Tribunal Federal), que faculta ao frigorífico não fazer o desconto.
Segundo o advogado, o Margen foi acusado de forma equivocada de ser devedor de R$ 90 milhões do Funrural, ''o que não é verdade''. Ele atribuiu esse equívoco à auditoria feita por um fiscal da Previdência que fez o levantamento sobre o não pagamento do Funrural, sem saber que o frigorífico tem o mandato de segurança.
Aliás, essa é uma das teses argumentadas pela defesa na Justiça, em função da prisão dos diretores do Margen. ''O frigorífico não fez apropriação indébita de nenhum pecuarista'', assegurou Silva.
O advogado procurou a Folha por volta de 21 horas de ontem, quando soube do tema tratado na reunião realizada à tarde na Secretaria da Agricultura e do Abastecimento, em Curitiba. Na reunião foi discutida a prática de sonegação por parte dos frigoríficos.
De acordo com o Sindicato da Indústria da Carne (Sindicarnes), os frigoríficos estão tentando junto ao governo federal reduzir a carga tributária que pesa sobre o setor. Uma das propostas que podem ser aprovadas é a redução do Funrural de 2,3% para 0,3%.
O presidente do Sindicarnes, Péricles Salazar acredita que o setor receberá muitos investimentos, inclusive de grupos internacionais, se a carga tributária dos frigoríficos for revista. (V.C.)

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