As denúncias de adulteração do leite provocaram uma reação imediata no mercado. O consumo de leite longa vida caiu cerca de 10% em todo o País nas duas primeiras semanas após a divulgação da fraude, enquanto no Paraná foi registrado uma migração do comércio do UHT para o pasteurizado de até 15%, variável conforme as indústrias. No entanto, entidades ligadas às empresas fabricantes avaliam o problema como pontual e acreditam que o mercado já estará normalizado até o final do ano.
  O presidente do Sindicato das Indústrias do Leite do Paraná (Sindleite), Wilson Thiesen, diz que a queda do consumo do produto longa vida foi pequena sem, contudo, revelar números. Na sua avaliação as indústrias estaduais não foram diretamente afetadas pelas denúncias porque a fraude ocorreu em Minas Gerais. ‘‘Houve um temor inicial, mas o consumidor já absorveu todas essas denúncias e sabe que o leite produzido no Paraná é de boa qualidade’’, comenta.
  A expectativa do Sindleite é que o mercado de UHT esteja normalizado até o final deste mês. ‘‘Não houve redução de produção porque algumas indústrias passaram a utilizar o leite na fabricação de outros produtos lácteos como queijos, iogurtes e bebidas lácteas’’, observa Thiesen. Já a Associação Brasileira da Indústria do Leite Longa Vida (ABLV) estima a regularização do mercado somente no final do ano. ‘‘No primeiro momento (nas duas primeiras semanas) o consumo caiu 10%, agora esta redução já é menor’’, diz Laércio Barbosa, vice-presidente da entidade.
  Na sua avaliação, o consumidor já identificou os problemas isoladamente e que, por isso, a fraude não causou efeitos negativos em todas as indústrias. ‘‘Em algumas regiões, como o interior de São Paulo, o consumo já foi regularizado e nos mercados mais distantes não foi registrada qualquer reação às denúncias’’, acrescenta. No ano passado as indústrias de UHT produziram cerca de 5 bilhões de litros e, neste ano, a produção registrada era de 450 milhões de litros por mês.
  ‘‘Com a queda nas vendas as indústrias mudaram automaticamente suas programações e o produto não ficou parado. As indústrias passaram a produzir menos’’, explica Barbosa. Esta mudança na programação industrial, aliada à entrada da safra, contribuiu para a queda nos preços pagos ao produtor. No pico da entressafra a cotação bateu os R$ 0,85 por litro. Neste mês, o preço recuou para cerca de R$ 0,65 o litro. No varejo o custo já havia caído antes das denúncias.
  O vice-presidente da ABLV acrescenta que todo o setor lácteo passa por dificuldades, uma vez que também foram feitas denúncias de fraudes em queijos. ‘‘Aliamos esse problema pontual (irregularidades) ao aumento de produção leiteira no País e, por isso, os preços caíram. Há uma insegurança em todo o mercado lácteo’’, diz. Mesmo assim, a entidade estima um crescimento do mercado de longa vida de 6% a 7% neste ano, com a produção de 5,4 bilhões de litros. ‘‘Não esperamos redução. Foi um problema pontual que deve trazer reflexo negativo de 1% a 2% em outubro e novembro’’, avalia.

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