A investigação sobre adulteração de combustíveis iniciada pela CPI dos Combustiveis ganha o reforço da Receita Estadual e da Delegacia de Estelionatos de Roubos de Cargas. Segundo o delegado Armando Marques Garcia, tudo leva a concluir que a adulteração é feita por apenas um grupo, cujos membros têm ‘‘ligações umbelicais’’ e estão ramificados entre as empresas que estão sendo investigadas, como empresas químicas, empresas de tintas e distribuidoras de combustíveis.
Os quatro motoristas das carretas apreendidas na madrugada de anteontem com solvente foram ouvidos, indiciados e liberados em seguida, informou o delegado Garcia.
Garcia disse que a carga de solvente foi comprovada pelo Tecpar e Instituto de Criminalística e agora as investigações vão se concentrar na origem e destino da carga. A Polícia e a Receita enviaram fiscais e policiais para a cidade de Cachoeirinha, no Rio Grande do Sul, para se certificarem que o solvente apreendido anteontem na divisa entre São Paulo e Paraná foi enviado por uma empresa de distribuição de combustíveis daquele município, como constam as notas fiscais. Os fiscais vão se certificar se os carimbos das empresas são verdadeiros ou falsos, já que as notas fiscais apreendidas são frias. As notas indicavam que a carga apreendida era álcool etílico.
Para o deputado Durval Amaral, presidente da CPI dos Combustíveis é importante investigar também a destinação da carga. As notas fiscais apontam que o destino é uma indústria de bebidas de Limeira. ‘‘Mas o que uma indústria de bebidas quer fazer com solvente?’’. Segundo o deputado, a transportadora Rodocola, de Campo Largo, responsável pelo transporte da carga, teve sua Inscrição Estadual cancelada porque sua base física não foi encontrada no endereço registrado pela Receita. No endereço indicado funciona a distribuidora de petróleo Petropar Petróleo Participações Ltda, cujo dono negou que fosse proprietário da Rodocola. A distibuidora também está sob investigação.
Com as notas fiscais e documentação da empresa apreendidas pela Receita, o ‘‘ quebra-cabeça’’ está sendo montado e tudo leva a crer que é um grupo só, concorda Durval Amaral. ‘‘São indústrias químicas que abrem e fecham com frequência e os responsáveis colocam pessoas ‘‘ laranjas’’ em locais estratégicos no comando das empresas’’, disse. Segundo o deputado, ’’ o fio da meada só está sendo puxado, até que toda a rede seja desmantelada’’.

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