Rio de Janeiro Pagar caro pela gasolina não livra o consumidor de abastecer o carro com combustível adulterado. Segundo pesquisa da Agência Nacional do Petróleo (ANP), um terço da gasolina fora de especificação vendida no País está com preço acima da média de mercado. Em oito Estados - incluindo Rio Grande do Sul, Pernambuco e Goiás - e no Distrito Federal, a adulteração está mais presente em postos com altos preços.
Segundo a análise da agência, a principal irregularidade encontrada na gasolina tem a ver com a adição de álcool acima do porcentual permitido. A ANP acredita que há uma tendência de que combustíveis de baixa qualidade sejam vendidos a preços baixos, mas a pesquisa serve de alerta para o consumidor.
''O preço está mais ligado à região onde o posto está do que ao produto em si'', avalia o engenheiro de combustíveis da Shell, Gilberto Pose. ''Concordo que preço mais alto não significa qualidade. Por isso, as distribuidoras investiram em programas próprios de qualidade do combustível'', diz o diretor de Abastecimento da Esso, Leonardo Gadotti Filho.
Desde o fim da década passada, as principais distribuidoras do País criaram programas de garantia de qualidade do combustível vendidos em seus postos. ''É o caminho que encontramos para manter a confiança do consumidor'', explica Gadotti.
As próprias distribuidoras admitem que parte dos postos que ostentam suas bandeiras compra combustíveis de outras fontes. ''Não dá para garantir que todos os postos se abastecem de produtos nossos'', diz a coordenadora do programa de qualidade da BR Distribuidora, Isabel Dutra.
Na BR, por exemplo, apenas metade dos 7 mil postos espalhados pelo País está credenciada ao ''De Olho no Combustível'', programa de qualidade que monitora o combustível vendido pelos postos da rede. No caso da Shell, 61% da rede é credenciada ao programa ''DNA Shell''.
No caso do álcool hidratado, a situação é ainda pior: cerca de metade do produto vendido fora das especificações custa mais do que a média nacional de preços. O índice de adulteração nas vendas de álcool foi de 9,5% em abril, e o estado que apresentou mais irregularidades foi o Maranhão. Em São Paulo, 6,1% das amostras de álcool hidratado coletadas pela ANP estavam fora de conformidade.
O Boletim de Qualidade divulgado pela ANP constatou que 10,3% dos postos fiscalizados em abril vendiam gasolina fora das especificações, ou seja, com porcentuais maiores de álcool anidro ou com a adição de elementos irregulares, como solvente ou água.
Em São Paulo, o índice de adulteração chegou a 13,4% dos postos pesquisados. O Estado com maior presença de produtos fora de especificação foi o Paraná: 22,3% das amostras colhidas pela agência.

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