O fertilizante - um dos insumos mais importantes na hora de instalar a lavoura - pode pesar muito mais no bolso do produtor paranaense se for comprado em época próxima às safras. É o que revela um estudo desenvolvido pelo Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria Estadual da Agricultura e do Abastecimento do Paraná.
O estudo, realizado pelo engenheiro agrônomo, Marcos Luiz Zanotto, teve como base os preços de balcão pagos pelos agricultores paranaenses por fertilizantes e pela uréia, em diferentes períodos de 1994, 1995 e 1996. Os preços do adubo de cada cultura -algodão, batata, feijão, mandioca, milho, soja e trigo - são referentes aos quatro meses em que os agricultores costumam comprar o insumo.
A maior variação constatada chegou a 19,7%, foi o caso dos fertilizantes utilizados para a cultura do milho. O produtor que comprou o adubo para milho no mês de julho de 1995, pagou US$ 243,67 a tonelada, já o que deixou para comprar em outubro daquele ano, pagou US$ 291,74. No caso da soja, por exemplo, a maior variação foi de 11%, registrada no ano de 1994. Os preços variaram de US$ 237,57, em agosto, para US$ 261,77, em novembro. Em 96, a variação maior do preço do fertilizante foi com a batata. Em julho, uma tonelada de adubo para essa cultura, custava US$ 215,37, em outubro esse valor chegou a US$ 225,80. Ou seja, aumentou 4,8% no período.
Zanotto lembra que essas variações, no geral, estiveram bem acima do IGP-FGV (índice que mede inflação). ‘‘O aumento dos preços, no mês de setembro de 1995, das formulações usadas nas culturas de algodão, mandioca e soja foram da ordem de 9,4%, 8,8% e 6,3%, respectivamente, enquanto o IGP-FGV daquele mês foi de -1,08’’, exemplifica.
Segundo o engenheiro agrônomo da Deral, essa disparidade de preços fica ainda mais acentuada, se comparadas aos preços cobrados fora desses períodos que foram estudados. ‘‘O preço dos fertilizantes, em épocas distantes da safra, tem reduções significativas’’, afirma, lembrando que tudo isso pesa no custo de produção e, consequentemente, na viabilização da lavoura. Só para se ter uma idéia, o fertilizante responde por 15% do custo variável da produção de soja. Para a cultura do milho esse percentual é ainda maior: 21%. Para o trigo e o milho é 18%.
Entretanto, é na relação de troca que o produtor sente ainda mais essa variação de preços. Em 1995, por exemplo, o valor de 21 sacas de batatas era equivalente a uma tonelada de adubo. Com a queda do preço do produto, essa relação de troca subiu para 77 sacas.
Segundo Zanotto, esse primeiro trabalho tem o objetivo de alertar o agricultor para essas diferenças. Um outro estudo, mais completo, está fundamentando a elaboração de um calendário, que indica a época ideal para a compra do insumo. ‘‘A previsão é que esse material fique pronto no próximo mês para distribuição para os agricultores do Estado’’, afirma.

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