Adquirir cartão deve ser uma decisão racional
Em 2017, o Conselho Monetário Nacional definiu novas regras para o uso do rotativo do cartão de crédito. Agora, as pessoas só podem entrar no rotativo por 30 dias. Na prática significa que se você não conseguiu pagar o valor total da fatura este mês, no próximo mês não poderá pagar o mínimo de novo. Nestes casos, a instituição financeira precisa dar opção de empréstimo ao cliente com juros mais baixos do que o rotativo.
"O que se queria era evitar grandes bolas de neve. Na prática tem se oferecido linhas de créditos com juros na faixa dos 380% ao ano. Não são tão baixas, mas atendem a regra do CMN", explicou Thais Cintia Carnio, professora de Direito Empresarial da Universidade Presbiteriana Mackenzie.
Para a professora, um dos grandes problemas é a insistência com que o consumidor é abordado para adquirir os cartões. "Essa insistência dentro das lojas faz com que a decisão seja emocional e não racional. As lojas dizem que ele não precisa se preocupar com nada, pode pagar em oito ou dez vezes com carência de 90, 120 dias. E quando a fatura chega, ele nem lembra mais do que comprou. O consumidor precisa pensar se aquele cartão será uma coisa boa mesmo. Ele tem que se autoanalisar e tomar uma decisão racional."
A professora também ressaltou que o consumidor precisa levar em conta a somatória das compras parceladas. "Se você compra muito tem que lembrar da somatória disso tudo. Se você faz hoje uma parcela de R$ 30 e mês que vem faz outra de R$ 30, o saldo da fatura será R$ 60."
A auxiliar de cartório Leila Cristina Gomes, 47, possui dois cartões de lojas, um de um banco e outro de uma rede de supermercado, mas concentra as suas compras apenas no cartão do banco. "Não tenho o costume de usar os de lojas, acho mais prático pagar uma conta só", contou. Ela também procura dividir as formas de pagamento de suas compras. Valores menores ela paga em dinheiro ou débito e só utiliza o cartão para valores mais altos e que necessitem de parcelamento.
POUCA INFORMAÇÃO
Carnio afirmou que também há pouca informação ao cliente sobre o funcionamento dos cartões. "O consumidor brasileiro não tem uma educação financeira e acredito que é responsabilidade das lojas colaborar para essa educação. Seria fundamental ter algum tipo de regulamentação que determine que as lojas façam a divulgação clara das informações sobre o custo do cartão com bandeira", disse. Para começar a ter uma educação financeira, a professora aconselha a anotar em uma planilha ou em uma caderneta os gastos diários.(A.M.P)





