Adolescentes inseridos nos investimentos
Simular aplicações, ganhos e perdas está na rotina dos alunos do 2º ano do ensino médio do Colégio Maxi em Londrina. A instituição que também realiza atividades de educação financeira com todos os estudantes desde o ensino infantil, desenvolve um trabalho especial entre os adolescentes: um laboratório foi montado especialmente para que eles possam vivenciar o mundo dos investimentos nas bolsas de valores.
Uma vez por semana, dentro de uma atividade extracurricular mas que faz parte da grade disciplinar dos estudantes do 2º ano, eles participam de aulas e palestras com especialistas do meio econômico e realizam simulações na bolsa de valores de São Paulo, a Bovespa.
A partir dessa atividade, desperta-se o espírito empreendedor dos alunos. Eles começam a perceber a importância de se estudar o melhor tipo de investimento, avaliar os riscos que se corre ao apostar em aplicações voláteis como a bolsa, planejar o orçamento e pensar no futuro, diz Ubiracy DAndrea, diretor do Maxi, frisando que os alunos estudam ainda, entre outros, investimentos na poupança e aposentadoria privada.
Além disso, pontua ele, a atividade faz parte de atividades do projeto vocacional do colégio, o qual ajuda os estudantes a definirem suas futuras profissões. Na opinião de DAndrea, com essa oportunidade, os alunos passam a se entender como investidores. Percebemos que alguns deles são bastante arrojados, mas as meninas são mais conservadoras, revela DAndrea.
A nossa visão é de que independente da profissão que seguir, o adolescente precisa ter noção de marketing, finanças e trabalho em equipe, acrescenta. O diretor ainda comenta que a iniciativa tem um retorno muito positivo por parte dos pais dos alunos. Atualmente a vida é muito dinâmica e, às vezes, não dá tempo deles explicarem detalhadamente sobre as questões de finanças para os filhos, então ficam satisfeitos com as atividades do colégio.
No final do ano, os alunos com melhor participação nessas atividades, os que mais se dedicam e mostram maior interesse ganham uma viagem para conhecer a sede da Bovespa, em São Paulo. Para o estudante Lucas Navarro Sanches, de 15 anos, um dos contemplados com a viagem no final de 2008, a oportunidade foi única. Ter aulas de investimentos e depois poder conhecer a Bovespa foi inesquecível, afirma Lucas, contando que o mais interessante do passeio foi conhecer a história do lugar.
Ele diz que seus pais sempre lhe passaram noções de finanças, lhe davam mesada para controlar os gastos, mas as atividades no colégio foram fundamentais para aprofundar seus conhecimentos. A gente aprendeu a lidar com o dinheiro de outras formas, observa o estudante que quer ser, agora, médico empreendedor. Entendi que posso ter qualquer profissão e ser também um investidor.
A aluna Isabela dos Santos Banks, 16, também compartilha da mesma opinião: quer ser engenheira civil e também investidora. No começo das aulas não entendia nada, mas depois aprendi a comprar e vender ações e perceber qual o melhor momento para essas transações. Agora sei que posso ser uma engenheira investidora porque é uma forma de ganhar um dinheiro extra, pontua. Isabela também visitou a Bovespa e para a estudante o mais interessante foi poder ver de perto o movimento dos famosos pregões da bolsa.
Para o professor Virgílio Tomasetti, diretor geral do Maxi, o importante dentro desse processo de educação financeira, é mostrar para os alunos que o ganhar dinheiro não é um fim em si mesmo, mas serve para trazer felicidade. Somos contra o consumo pelo consumo. Então tentamos apresentar aos alunos os efeitos negativos das compras compulsivas e o benefício da família ter harmonia quando o assunto é dinheiro, observa.(E.Z.)





