As famílias com pré-adolescentes e adolescentes também ficaram endividadas, conforme a pesquisa da LatinPanel. Nas primeiras, os gastos com os filhos de 6 a 12 anos ficaram em 4% a mais do orçamento e em 3%, no segundo caso. Nos lares com crianças pré-adolescentes, o endividamento foi puxado principalmente pelas despesas com vestuário (+44%), higiene (+38%) e alimentação (+31%).
A renda mensal destes lares foi de R$ 1.405 em 2005, mas o gasto médio mensal foi de R$ 1.469, no mesmo período. Conforme o gerente de atendimento da LatinPanel, Antônio Carlos Perrella, alguns itens contribuíram para o resultado final das despesas dos não-duráveis: pães, biscoitos, bolos, leites e sucos tiveram com frequência na mesa dos domicílios com pré-adolescentes e representaram 34% do orçamento destas famílias em 2005.
Já os lares com adolescentes - 13 a 17 anos - tiveram um endividamento semelhante à média nacional, 3%. Mas o perfil dos gastos foi diferenciado dos demais: o acesso à tecnologia. ''A gente percebe que à medida que aumenta a idade, modificam-se os gastos com os filhos. Os adolescentes, por exemplo, gostam de acompanhar - e comprar - as tendências e ter acesso a todos os tipos de tecnologia, que vai dos MP3 aos celulares'', disse Perrella.
Segundo o estudo do Instituto, as despesas com comunicação entre essa faixa etária estão bem acima da média nacional (+38%), assim como educação (+44%) e alimentação fora do lar (+31%).
A família da bacharel em direito, Rosângela Ferreira, e do advogado, Jorge Custódio Ferreira, foi uma dessas que ajudou a definir os índices da pesquisa. Pais de duas adolescentes - Raíssa, 17, e Nathalia, 11 - eles contam que não há como evitar os gastos com tecnologia. ''Elas nos pedem, gostam dessas coisas ligadas à comunicação: o celular mais moderno, DVD portátil, computador potente, MP3 e até MP4 que eu nem sabia que existia'', brincou Rosângela.
Segundo a mãe, a filha mais nova é a mais ligada em tecnologia. ''Adora internet, se deixar fica o dia inteiro na frente do computador, baixa música, vídeo, fica no MSN, é uma loucura. Essa sim, me pede quase tudo. Já a mais velha é menos ligada nessas coisas, mas mesmo assim quis de presente o celular mais moderno do mercado'', contou.
Rosângela ressaltou que não há como deixar de adquirir produtos ligados à tecnologia, pois são importantes para a socialização das meninas, para os estudos e o lazer. ''Mas tudo tem que ser na medida certa. Agora, por exemplo, estamos limitando o período que a Nathalia fica na internet'', disse a mãe.
Para não entrar em dívidas ou fazer mais do que podem para as filhas, o casal conversa com as meninas e tenta fazer algumas trocas. ''Damos de presente de aniversário o celular, mas não damos a festa. E elas têm que escolher'', exemplificou a bacharel. Além disso, cada uma delas tem uma poupança - que podem usar quando quiserem - e que todo mês recebe um depósito do pai. ''Para quem gasta menos, eu deposito a mais. E dessa forma elas também podem comprar algumas coisas que querem'', disse Ferreira. (E.Z.)

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