O gasto médio das famílias que têm adolescentes excede 5% da renda mensal, acumulando cerca de uma década de dívida até os teens crescerem. É o que revela o relatório de tendências e consumo de adolescentes, The Future Report Teens, conduzido pela empresa britânica The Future Laboratory. Novos padrões de consumo surgem ditados pela chamada ''Geração D'' - nativos digitais que devem movimentar US$ 208,7 bilhões em 2011 com aquisição de produtos, marcas e conceitos inovadores.
Para Solange Lima Barbosa, professora de Marketing e Estratégia da Pontifícia Universidade Católica (PUCPR), de Curitiba, os dados fazem sentido porque esse público é mais exigente, com necessidade muito grande e variada de consumos sociais e simbólicos, relacionados não necessariamente a itens de status, mas de conforto, considerados por eles como básicos, que extrapolam os produtos funcionais do dia a dia.
Conforme a professora, são materiais diferentes que, há alguns anos, não faziam parte do mix dos itens básicos das famílias que tinham adolescentes. ''Hoje é muito comum dentro de uma mesma casa que tem dois ou três adolescentes, cada um ter seu kit completo de tecnologia (notebook, smartphone, celular), diferentemente de antes, que era um único desktop para toda a família'', exemplifica. ''Esses itens considerados necessários pelos adolescentes, inclusive para o estudo, aumentam as despesas familiares não apenas em termos de investimento, mas também em despesas correntes mensais para manutenção dos gastos'', acrescenta.
Segundo Solange, esse ''fenômeno'' - como ela define - do aumento do consumo entre os adolescentes surgiu na última década e tem várias causas, como a evolução tecnológica e popularização da internet, a influência da mídia e o aumento do poder de compra da classe C, por exemplo.
Soma-se a esses fatores, o ingresso de ambos os pais no mercado de trabalho, com agenda muito intensa, fazendo com que os filhos sejam criados praticamente sozinhos e monitorados à distância. ''Como não vão poder estar com eles o tempo todo, oferecem uma compensação por meio da autonomia de consumo, como uma mesada maior para que possam almoçar, se transportar e cuidar de suas necessidades pessoais, além do celular para que possam se comunicar'', aponta.
Com isso, o adolescente assume o papel de consumidor autônomo, muito parecido com o do adulto, mas dentro de seu meio de referência jovem, ligado à tecnologia, conforme a professora. ''Antes, considerávamos adolescentes os que tinham a partir dos 14 anos e hoje encontramos até mesmo crianças de 7 a 13 anos com nível de maturidade e consciência de consumo bastante desenvolvidos e com as novas necessidades fazendo parte desta demanda'', reitera.
Nos últimos anos, o consumo teen deu saltos mais significativos com estímulo, inclusive, da mídia. A predisposição é para que o crescimento continue, prevê a professora, ''pois essa realidade não é uma moda, mas uma tendência''.
Solange acredita que o estímulo exagerado pode levar a problemas sociais muito intensos: criar uma massa consumista e descontrolada, ''como a classe C, que ao ter acesso a algumas categorias de serviços, deixou as decisões emocionais superarem as racionais e se endividou''. A base para evitar esses problemas, segundo ela, é a educação financeira oferecida desde pequenos para que os pais não percam o controle dos teens.

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