As administradoras de cartões não costumam divulgar as taxas cobradas no comércio na negociação, mas o varejo cita porcentuais que vão de 3% a 5% sobre a venda. ''Há estabelecimentos que chegam a pagar 7%, mas quem tem margem muito baixa paga menos, assim como as maiores redes'', diz um lojista.
Além do empenho das bandeiras Visa, Mastercard e dos bancos de divulgarem cada vez mais seus produtos nos últimos anos, o parcelamento sem juros no cartão substituiu o cheque pré-datado. Nas Lojas Cem, por exemplo, as vendas com cheque pré-datado representavam entre 2% e 3% do faturamento há quatro anos.
Hoje, com a oferta de cartões que permitem parcelamento em até sete vezes sem juros, a participação do pré-datado encolheu para 0,5%. Nas compras a prazo, 12% são pagas com cartão, 0,5% com cheque e o restante no carnê. ''Incentivo a venda no carnê porque ela traz o consumidor de volta às lojas'', diz o supervisor-geral da rede, Valdemir Colleone. Nas Casas Bahia, metade dos pagamentos é feita em carnês. Mas a venda com cartões, aceita na rede há quatro anos, já tem 40% de participação. As vendas à vista com cheque ou dinheiro representam 10% do faturamento.
Uma pesquisa da inSearch sobre carnês revela que o consumidor, principalmente o de menor renda, tem mais segurança em pagar prestações no carnê do que no cheque ou no cartão de crédito. ''Ele encontra flexibilidade na negociação da data, caso atrase o pagamento'', explica o diretor da empresa, Fábio Mariano.
O levantamento, com base em 900 entrevistas, mostra que 65% preferem pagar parcelado em carnê a ter de usar cheque pré-datado. Entre os entrevistados, metade acredita que os juros das compras parceladas em carnês são menores do que os juros cobrados nos cheques pré-datados. Quando se trata de cartões de crédito, 55% consideram as taxas maiores do que as aplicadas no parcelamento no carnê.
O parcelamento em carnê, avalia o diretor da inSearch, é menos burocrático do que a análise do crédito para cheque pré-datado. ''Muitas vezes um histórico de inadimplência atrapalha a concessão do crédito em cheque'', diz. ''Há também lojas que consideram importante que o cliente nunca tenha deixado de pagar um carnê, mesmo que esteja inadimplente em outro lugar.''
O pré-datado ainda resiste no comércio da periferia e nas pequenas lojas. Segundo uma pesquisa da Telecheque, em torno de 70 % dos cheques emitidos em 2006 foram pré-datados. ''Nos shoppings e nas grandes redes o pagamento com cartão de crédito e débito pode predominar. Mas em lojas menores, o pré-datado ainda está muito bem'', diz o vice-presidente da Telecheque, José Antonio Praxedes Neto.
Ele observa que na baixa renda há até o ''cheque família'', que é ''emprestado'' a parentes para o consumo à vista ou parcelado. ''Quem tem o talão cede as folhas para compras diversas e até para prestações feitas com pré-datados, por exemplo, em pequenas lojas de material de construção''. Um dos maiores motivos de inadimplência com cheques, revelam pesquisas da Associação Comercial de São Paulo, é o empréstimo do nome ou do cheque para compras feitas por parentes e amigos.

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