Comprar bens por consórcio, principalmente veículos, é vantajoso para o consumidor, mas ele precisa ficar atento para não ser surpreendido. A vantagem está no preço final do consórcio, bem menor em relação ao custo do mesmo bem financiado pelo crédito direto ao consumidor. A surpresa pode vir pelo aumento do bem, pela possibilidade de a administradora não entregá-lo, pela possibilidade de não-pagamento dos consorciados ou por outros motivos.
Segundo o vice-presidente da Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade), Miguel J. Ribeiro de Oliveira, o custo de administração de um consórcio de carro zero está em torno de 15% de seu valor. Já o juro pelo financiamento do crédito direto ao consumidor está em 4,90% ao mês, ou 115,22% em 24 meses.
Como exemplo, Oliveira cita um veículo que custa R$ 13 mil. Pelo crédito direto ao consumidor, serão 24 pr no total. Pelo consórcio, o mesmo bem custa R$ 622,92 em 24 meses, ou R$ 14.950 no total. Nesses exemplos, o mesmo veículo custa 50% a mais pelo crédito direto, ou mais R$ 7.441.
Se por um lado há vantagem financeira, por outro o consumidor deve ficar atento a uma série de detalhes para não sofrer dissabores. Marcelo Ponce, técnico da área de assuntos financeiros do Procon de São Paulo, diz que a primeira coisa que um consorciado deve fazer é participar das assembléias e discutir temas relacionados ao grupo do qual participa (saber se o preço do bem subiu, qual o índice de inadimplência etc.). Quem entra num consórcio novo deve, primeiro, saber se ele está autorizado a funcionar pelo BC. Além disso, é preciso ler com atenção as cláusulas do contrato.
Ao ler as cláusulas, é importante saber o que acontece quando alguém desiste no meio do caminho. ‘‘Nesse caso, a devolução do dinheiro só virá no final do grupo, com o desconto de eventual prejuízo causado aos demais consorciados’’, afirma Ponce. Quem entra em um consórcio em andamento (aquele que compra uma cota de outra pessoa) deve redobrar os cuidados.(Agência Folha)

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