Vânia Casado
De Curitiba
A adição de açúcar ao mate, além de adulterar ameaça a produção de erva-mate no Sul do País, A operação é feita por 10 indústrias, localizadas em áreas limítrofes com a Argentina, que conseguiram liminar para misturar o açúcar à erva. A mistura abre precedente para a legalização do contrabando de erva da Argentina ou para operações de ‘‘dumping’’.
A denúncia é de Jorge Mazuchowski, presidente da Comissão Nacional da Erva Mate e coordenador da Câmara Setorial da Erva-Mate. Ele argumenta que a erva argentina é de sabor muito forte e não encontra consumidores no Brasil. Mas com a adição de açúcar, a erva adquire um sabor mais suave ao gosto dos consumidores brasileiros e com isso pode conquistar o mercado porque entra aqui muito mais barato. A Argentina tem um excedente de 120 a 150 mil toneladas de erva por ano.
Segundo Mazuchowski, todo o setor ervateiro do país, que abrange 750 indústrias, está mobilizado pela derrubada da liminar e retorno à vigência plena da portaria 210, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária que proíbe adição de açúcar à erva-mate para comercialização. Os empresários do setor estão na dependência de resolver essa pendência para deflagar investimentos na modernização de produtos que estão ganhando cada vez mais mercado, como os chás com sabores e os liofilizados. ‘‘Sem resolver a questão que ameaça a garantia do mercado, não há como planejar investimentos’’, declarou.
A adição de açúcar mascara o produto, porque as indústrias podem colocar outras plantas (primas) que se confundem com o mate. ‘‘Enquanto o mundo pede produtos naturais, essas indústrias estão indo na contramão, ameaçando a qualidade do mate brasileiro com a mistura de produtos estranhos’’, criticou Mazuchowski. Mate argentino é cultivado com agroquímicos, insumos dispensáveis na produção brasileira, que é essencialmente nativa.

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