A ausência do senador José Eduardo Andrade Vieira (PTB-PR), que não compareceu à sessão da Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara dos Deputados, adiou a apresentação de um pedido de instalação de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar a venda do Bamerindus ao banco inglês HSBC. O pedido de criação da CPI estava no bolso do deputado Cunha Bueno (PPB-SP), autor de um requerimento de informações ao Ministério da Fazenda sobre o assunto. ‘‘Como ele não compareceu, fiquei sem gancho para pedir a CPI’’, disse Bueno.
O senador e ex-ministro da Agricultura tem feito queixas e acusações ao Banco Central, condutor no negócio, de forma cada vez mais aberta e preocupante para o governo. Funcionários do BC foram mobilizados, desde anteontem, para organizar a defesa do governo. O líder do governo na Câmara, Luís Eduardo Magalhães (PFL-BA), e outros líderes de bancadas governistas foram abastecidos com informações para rebater o senador.
O presidente da comissão, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), esperava que ele fornecesse detalhes sobre as acusações que o BC negociou a venda do banco ‘‘nas suas costas’’. O senador também afirmou que o BC negociava com o HSBC ao mesmo tempo em que ‘‘plantava boatos contra o Bamerindus’’.
José Eduardo informou apenas que ‘‘problemas de ordem familiar’’ o impediram de comparecer à sessão e Chinaglia acredita que ele irá depor em outro dia. ‘‘O Banco Central mente’’, afirmou o deputado, assegurando que o depoimento de Vieira será apenas o começo de uma investigação da Comissão em todo o sistema financeiro. Para isso, Chinaglia admite que o ministro Pedro Malan, poderá ser convocado.

mockup