Fracassou ontem a primeira tentativa do governo do Estado de vender a Companhia Paranaense de Energia (Copel). O leilão previsto para as 10 horas de hoje, na Bolsa de Valores do Rio de Janeiro, foi adiado, para o próximo dia 12. A data ainda é extra-oficial. O governo foi obrigado a fazer a mudança repentina devido à pressão das empresas que depositaram as garantias na Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia (CBLC) e por causa da sequência de liminares judiciais que bloqueavam o leilão.
Das três liminares que suspendiam o leilão, uma delas chamou atenção. O juiz federal Emmerson Gazda impôs uma multa diária de R$ 1 milhão para a Bolsa de Valores, Copel e governo caso eles insistissem na venda. A ação foi movida pelo Sindicato dos Engenheiros (Senge) e corre na 5ª Vara Federal de Curitiba.
A Procuradoria Geral do Estado montou um esquema especial para cassar as decisões. Mas até o final da tarde não tinha conseguido reverter as decisões, no Tribunal Regional Federal. O secretário de Governo, José Cid Campêlo Filho, aguardava para ontem à noite uma decisão favorável.
O clima da véspera do leilão foi ficando cada vez mais tenso à tarde. Por outro lado, os organizadores do leilão monitoravam como estava o interesse das empresas e se de fato elas fariam o depósito das garantias.
O governo só se convenceu da necessidade de recuar quando sentiu que o leilão fracassaria por falta de interessados. Minutos antes de encerrar o prazo dos depósitos das garantias de R$ 400 milhões, às 18 horas, nenhum dos três grupos havia feito o procedimento. A informação foi confirmada ontem em nota oficial do governo. ''O governo foi comunicado pelos interessados sobre a impossibilidade técnica de cumprir os prazos do edital e participar do leilão. Em virtude disso, elas não efetuaram o depósito das garantias, mas manifestaram interesse em continuar no processo de desestatização'', diz a nota.
O consórcio Maromba (Vale do Rio Doce e Votorantim), consórcio Beta (Tractebel) e a Altere Participações (GP Investimentos) cumpriram a ameaça feita nos últimos dias e comunicaram o governo que estavam fora do leilão. Os grupos alegaram que não houve tempo suficiente para se organizarem, por isso pediram a mudança na data. ''Por falta de entendimento entre os compradores elas pediram mais uma semana para se organizar'', afirmou ontem o sócio-gerente da Century Gestão de Recursos, Mohamad Dalah Júnior. Elas terão até o dia 6 para apresentarem as garantias.
A GP Investimentos é formada por 17 empresas. Pelo menos três estavam interessadas numa mesma área da Copel. No consórcio Maromba não foi possível viabilizar a entrada da Tractebel, que tinha interesse na distribuição e transmissão de energia. Com o novo prazo elas poderão se reorganizar e formar novas composições.
O Fórum Popular Contra a Venda da Copel comemorou a decisão. ''Ficou comprovado que, ao contrário do que diz o governo, o momento não é ideal para o leilão'', disse o coordenador-executivo do fórum, Nelton Friedrich.

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