Adiado acordo automotivo no Mercosul
Agência Estado
De Montevidéu
A Argentina transferiu a responsabilidade da assinatura do acordo sobre o regime automotivo comum do Mercosul previsto para entrar em vigor am janeiro de 2000 para o futuro governo do presidente Fernando De la Rúa, que toma posse na sexta-feira. As propostas do Brasil e da Argentina serão levadas a Machinea, disse o secretário de Indústria e Comércio da Argentina, Alieto Guadagni, ao se referir ao futuro ministro argentino de Economia, José Luis Machinea.
Visivelmente cansado, Guadagni saiu apressado da reunião de técnicos na sede do Mercosul na capital Uruguai afirmando que esta etapa de negociações com o governo brasileiro estava encerrada. Horas antes de ir embora, não tem sentido assinar um acordo entre os dois países, afirmou o secretário, que viajaria na mesma tarde para Buenos Aires. Segundo o secretário, houve progressos nos últimos dias, mas não ao ponto de assinar um acordo.
O embaixador José Alfredo Graça Lima, subsecretário geral de Assuntos Econômicos, de Integração e de Comércio Exterior, informou que na quinta-feira, véspera da posse do presidente De la Rúa, o presidente Fernando Henrique Cardoso e o ministro Luis Felipe Lampreia manteriam um encontro com funcionários do futuro governo argentino para iniciar as primeiras conversações sobre o regime automotivo, cuja assinatura fracassou em Montevidéu.
Embora sem manifestá-lo, Graça Lima insinuou que a reunião técnica sobre o regime automotivo na capital uruguaia com técnicos do governo argentino que deixam o poder na sexta-feira foi inútil. Transferir a reunião para a próxima semana, com uma nova equipe de técnicos que ainda não foi formada e que não esta informada sobre, poderia também não ter sentido, disse o embaixador, um tanto desapontado com o resultado das negociações que se estendem há cinco anos. Essa decisão pode não ser tomada aqui por razões políticas, mas tecnicamente houve avanços, acrescentou o embaixador.
A diplomacia dos funcionários dos governos brasileiro e argentino, que não cansaram de insistir que haviam conseguido avanços significativos, não escondeu, entretanto, as grandes divergências em questões específicas do futuro regime automotivo, se for mesmo acertado até o dia 31 deste mês. Prefiro apostar que iremos trabalhar até o último momento, disse o ministro Pedro Malan, ao sair da reunião do Conselho do Mercado Comum (CMC), da qual participaram ainda os ministros de Indústria e Comércio e de Relações Exteriores dos quatro países.
Tentando manter sigilo e um certo otimismo, o secretário de Política Industrial, Hélio Mattar, disse que, enquanto não houver acordo, não seriam revelados os detalhes específicos das negociações. Vamos continuar negociando, na próxima semana, em Buenos Aires ou em São Paulo, disse.





