Das Agências
De Buenos Aires
O acordo do regime automotivo comum do Mercosul ficou, mais uma vez, nas intenções e foi adiado para hoje ou segunda-feira. O ministro do Desenvolvimento, Alcides Tápias, disse que há alguma possibilidade de se chegar a um acordo nos próximos dias. ‘‘Faltam definir alguns pontos, entre eles, o de conteúdo nacional e regional na fabricação de veículos e alguns aspectos relacionados ao setor de autopeças’’, disse Tápias, logo depois do encontro que manteve com o secretário (cargo com status de ministro) de Indústria e Comércio da Argentina, Alieto Guadagni.
O acordo automotivo comum terá como objetivo fixar as regras de comércio de carros isentos de tarifas entre os países da região, o chamado sistema administrado de comércio. A isenção de tarifas alfandegárias não será total e dependerá de alguns parâmetros que estão sendo costurados. O regime tem de estar pronto antes de 31 de dezembro.
O otimismo transmitido ontem pelo subsecretário argentino de Relações Internacionais, Jorge Campbell, não é o mesmo dos brasileiros. Fontes próximas às negociações informaram à Agência Estado que há muito pessimismo por parte dos negociadores brasileiros e há ainda um risco de o acordo não sair até dezembro deste ano, quando está previsto o final dos regimes especiais para qualquer setor industrial, conforme foi acertado durante a Rodada Uruguai do Gatt.
‘‘Do ponto de vista das intenções, o acordo não corre risco de fracassar. Existe uma boa vontade política do Brasil e da Argentina para chegar a um acordo’’, disse Tápias. O ministro está voltando hoje ao Brasil, mas de mãos vazias em relação ao regime automotivo. Devem permanecer em Buenos Aires a secretária de Comércio Exterior, Lytha Spínola, o secretário de Política Industrial, Hélio Mattar e o secretário da Camex, José Botafogo Gonçalves.
BNDES O ministro Alcides Tápias disse ainda que o BNDES continuará a conceder empréstimos a empresas estrangeiras que participam do programa de privatizações no Brasil. ‘‘Os recursos do BNDES devem privilegiar as empresas nacionais, mas nós queremos garantir o melhor resultado nas privatizações , afirmou Tápias, durante visita à capital argentina. E completou: ‘‘Se a AES vier nos procurar, terá os recursos disponibilizados .
O comentário do ministro foi uma resposta às críticas que o BNDES recebeu de setores da indústria nacional por ter acertado um empréstimo à AES. O empréstimo é de R$ 360 milhões e a própria empresa admitiu que sem esse dinheiro sua oferta total, de R$ 938 milhões, não teria sido possível. Segundo o raciocínio do ministro, a função do BNDES dentro do programa de privatizações é garantir que o Estado brasileiro receba o maior valor possível pela empresa vendida, não importando a nacionalidade do comprador.
Para ele, se apenas empresas nacionais tivessem acesso ao dinheiro do BNDES, o governo poderia ter perdido a oportunidade de conseguir um valor maior.
Tápias lembrou que as regras do programa de privatização estão sob revisão desde que assumiu o cargo e disse que existe a preocupação do governo com as remessas de lucro ao exterior das empresas privatizadas que foram compradas por estrangeiros. Segundo ele, uma decisão sobre esse tema deve sair em 30 a 60 dias.Falta consenso sobre conteúdo nacional e regional na fabricação de veículos e sobre setor de autopeças, diz ministro Alcides Tápias
Arquivo FolhaO OTIMISTAO ministro Alcides Tápias, que esteve negociando ontem na Argentina: ‘‘Acordo não vai fracassar’’

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