Adiada a decisão sobre a construção de Angra 3
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sábado, 08 de abril de 2006
Patrícia Zimmermann<br> Folhapress 
Brasília O CNPE (Conselho Nacional de Política Energética) discutiu na última quinta-feira a viabilidade da construção de Angra 3, mas não foi dessa vez que o governo decidiu se irá ou não construir a nova unidade nuclear no país.
A discussão sobre a viabilidade econômica da usina que teria 1.350 MW de potência, ganhou força no governo com a apresentação de um estudo pelo Ministério de Minas e Energia sobre os custos da energia que seria gerada pela nova unidade nuclear, durante a reunião.
Segundo o secretário de Energia do Rio de Janeiro, Wagner Victer, o fluxo de caixa apresentado pelo MME demonstra que a energia de Angra 3 custaria aproximadamente R$ 140 por MW/h, contra R$ 187 estimados no ano passado. Essa redução teria sido provocada principalmente pela desvalorização do dólar frente ao real e da queda na TJLP (Taxa de Juros de Longo Prazo).
Victer destacou que a nova unidade nuclear, além de mais viável economicamente, emitiria menos poluentes que uma usina térmica a gás, por exemplo, e ainda poderia evitar o consumo de 7 milhões de metros cúbicos de gás natural/dia, o que corresponde a cerca de 20% do gás importado da Bolívia.
A usina foi incluída no Plano Decenal da Expansão da Oferta de Energia elaborado pelo Ministério de Minas e Energia, mas a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, voltou a criticar o projeto de construção da usina, alegando não haver ainda no mundo uma solução segura sobre os resíduos nucleares. Diante disso, ela afirmou que seu ministério prefere outras fontes de geração de energia que não sejam a nuclear.
A expectativa de Victer é a de que o assunto volte à pauta do CNPE em maio, quando deverá acontecer nova reunião. Ele explicou que a Casa Civil, que pediu vista do processo em abril do ano passado, ainda na gestão do ex-ministro José Dirceu, precisa apresentar um parecer para que o assunto volte à discussão.


