O número de adesões ao pacote de demissões voluntárias da Volkswagen cresceu signitivamente: até 23 horas de quinta-feira, chegou a 1.535. No início da semana, havia apenas cerca de 300 interessados. Ontem foi o último dia de inscrições, mas o resultado final só será conhecido segunda-feira, segundo a empresa, já que o programa ficaria aberto às adesões inclusive no turno da noite.
Quarta-feira, com o resultado em mãos, o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Luiz Marinho, e o diretor de Recursos Humanos da montadora, Fernando Tadeu Perez, terão a última rodada de negociações sobre demissões e corte de benefícios. Marinho dá como certo um acordo. A empresa, em dezembro, ameaçou demitir 10 mil empregados apenas na fábrica de São Bernardo do Campo, que tem 23 mil, ou diminuir salários em 20%.
O sindicato optou por abrir negociações em torno de outros pontos: redução de benefícios e demissões via voluntariado, seguindo exemplo do sindicalismo alemão, que conseguiu encontrar saídas durante crise na montadora em 1993. Com corte da remuneração, de jornada, de salários e antecipação de aposentadorias os alemães conseguiram manter 25 mil de um total de 40 mil postos ameaçados naquele País. Hoje a VW alemã tem 95 mil empregados.
Somando-se os 1.535 inscritos até quinta-feira em São Bernardo, Taubaté, Resende e São Carlos, e os 1.100 aposentados que serão demitidos compulsoriamente, já chega a 2.635 o número de fechamento de postos de trabalho. A meta mais otimista da empresa era de eliminar 3.100 postos nas suas quatro fábricas e unidades administrativas e a expectativa é de que será alcançada ou até ultrapassada. Isso porque nada menos que 4.455 empregados haviam consultado os benefícios do programa e muitos podem ter deixado a decisão para último dia.
Marinho calcula que, contando o desligamento dos que tem aposentadorias especiais, 3.500 postos serão fechados. Os que optarem por sair da empresa receberão indenização de cerca de meio salário por ano trabalhado, mais direitos legais e assistência médica por três meses. Ele também estima que haja redução da remuneração anual dos empregados.
Os salários permanecerão inalterados, mas alguns benefícios (salário indireto) serão cortados ou diminuídos, daí a queda na remuneração anual. A Volkswagen quer, por exemplo, pagar este ano apenas 50% do valor da participação nos lucros ou resultados.

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