A adesão dos produtores à CPR e CPR Financeira está surpreendendo no Paraná. A CPR é um instrumento novo de comercialização em que o produtor rural emite um título, avalizado pelo banco, através do qual ele capta recursos para o plantio sem depender de financiamento. Nos primeiros cinco meses desse ano, a superintendência do Banco do Brasil no Paraná avalizou a emissão de 330 CPRs, no valor de R$ 23,5 milhões.
Em função do avanço desses papéis nas operações de comercialização agropecuária, o Banco do Brasil já está preparando o lançamento da CPR-Exportação, que certamente vai ocorrer antes do início da safra de verão. A grande vantagem é que o produtor poderá negociar sua produção diretamente no mercado externo, transformando-se num exportador.
O volume de contratos com CPRs físicas coloca o Paraná como o segundo Estado nesse tipo de transação, sendo superado somente pelo Estado de Minas Gerais, onde as CPRs com o café dispararam esse ano. Apesar disso, o número de contratos fechados nos primeiros meses desse ano superaram o número de contratos fechados durante todo o ano passado, que foram 237. No Paraná, os negócios com CPRs estão se concentrando mais nas operações com soja e café.
Já o fechamento de contratos com as CPRs financeiras, lançadas há pouco mais de dois meses, acumulam um volume negociado de R$ 13,5 milhões, que correspondem a 214 contratos realizados. Esse resultado coloca o Paraná na liderança em operações com CPRs financeiras, destacou Gueitiro Matsuo Genso, gerente de Agronegócios Rurais do Banco do Brasil. Genso atribui o interesse maior em torno das CPRs financeiras, à falta de obrigatoriedade de entregar o produto físico. Os negócios são fechados apenas em torno das oscilações de mercado. Daí a importância dos produtos serem negociados em Bolsa de Mercadorias.
Segundo Gueitiro, muitos investidores como Fundos de Pensão e de Investimentos, produtores, empresários de forma geral estão começando a se interessar pelas CPRs financeiras, porque eles participam do mercado, sem necessariamente levar a produção. Os investidores recebem os dividendos em dinheiro.
Atualmente, os negócios com as CPRs estão restritas aos produtos negociados em Bolsa, mas a intenção é emitir papel para os demais produtos. A CPR financeira já opera com outros produtos como boi, bezerro, batata, milho e outros. Apesar do interesse por parte dos produtores, o Banco do Brasil avisa que está bastante seletivo na escolha dos produtores. O banco está dando o seu aval somente para os produtores tradicionais, com um bom histórico de produção e que não comprometa toda a lavoura no papel. O banco entende como ideal o comprometimento antecipado de 30% a 40% da lavoura.

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