Adefa aposta em enfraquecimento de barreiras
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quinta-feira, 19 de maio de 2011
Marina Guimarães <br> Agência Estado 
Buenos Aires - As negociações entre Brasil e Argentina para destravar o conflito comercial bilateral serão realizadas segunda e terça-feira da semana que vem, confirmou o Ministério de Indústria argentino. Antes disso, as montadoras argentinas esperam que os carros bloqueados na fronteira sejam autorizados a entrar no mercado brasileiro.
''A ideia é de que até sexta-feira sejam liberados os primeiros veículos para que os dois países cheguem à mesa de negociação sem pressões'', disse o secretário-executivo da Associação de Fábricas de Automotores (Adefa), Fernando Canedo.
A expectativa é de que nas próximas horas sejam realizados ''gestos recíprocos de boa vontade'', como se referiu ontem o embaixador do Brasil, Enio Cordeiro, durante reunião com a ministra de Indústria argentina, Débora Giorgi. Na ocasião, Giorgi pediu ao Brasil a liberação de uma parte dos carros barrados na fronteira. Cordeiro condicionou uma possível resposta positiva à reciprocidade argentina, com liberação de pneus, calçados e baterias.
A Adefa realizou reunião da sua comissão executiva e recebeu sinalização positiva do governo argentino. Mesmo assim, os associados discutiram alternativas para o caso de falta de acordo entre os dois sócios do Mercosul. Parte da estratégia da indústria é alertar sobre as consequências de uma retração do setor em ambas as economias. ''A fabricação de veículos é um dos dois principais motores da economia argentina. Se cai esse motor, o país vai comprar cada vez menos produtos do Brasil'', disse um executivo de montadora.
''A ideia é de ir produzindo e guardando os veículos nos depósitos. Se a restrição persistir, teremos então de encurtar o ritmo de produção.'' Até o início de maio, a Adefa projetava uma produção de 840 mil unidades em 2011, das quais 504 mil seriam destinadas às exportações. Deste volume previsto para as vendas externas, 82% tinham o mercado brasileiro como destino.
Para o secretário-executivo da Adefa, os números ainda estão valendo. ''Os investimentos realizados nas montadoras instaladas no Brasil e na Argentina, especialmente nos últimos dez anos, foram pensados na complementaridade entre os dois países e em uma matriz exportadora que funciona com esse esquema de produção'', disse Canedo.


