Para a empresária Sheila Rodrigues Sampaio, de Londrina, que mantém dois empregados domésticos na chácara onde mora com o marido e uma filha, se adaptar às novas exigências da PEC foi simples. ''Os funcionários moram em uma casa na própria chácara e, por isso, podem fazer o intervalo para almoço na residência deles'', explica. Os dois são casados e, enquanto a mulher cuida da casa, o homem cuida da chácara.
Ela considera a nova lei ''adequada e justa'' e, por não contar com os empregados além das oito horas estabelecidas e já recolher o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), não teve aumento nos custos. ''Também pago salário maior que o mínimo regional e arco com despesas de luz, água e ofereço uma cesta básica por mês. Fiz esta opção porque moro longe e não tinha muita gente disponível para trabalhar'', revela.
Para dar conta das demandas domésticas quando os empregados estão de folga, ela investe em facilidades como comprar comida pronta e equipamentos que facilitam o serviço. ''Quando abri mão de uma segunda empregada para a casa, comprei uma máquina de lavar louça. Também uso a máquina de secar roupa porque à noite, quando preciso lavar alguma coisa, não preciso pendurar no varal'', exemplifica.
Já a professora Carla Nolasco Spiacci enfrenta desde março o desafio de viver sem uma empregada doméstica. Na casa onde vive com o marido e dois filhos, ela teve que se adaptar a uma nova rotina quando a funcionária saiu para cuidar do pai doente. Hoje, a família conta com uma diarista que faz a faxina e passa roupas uma vez por semana. Nos outros dias, Carla procura manter tudo organizado para evitar sobrecarga de serviços. No almoço, ela cozinha eventualmente e, na maioria das vezes, compra marmita. ''Também fiquei mais tranquila sobre as exigências relativas à limpeza da casa'', conta.
Carla não escolheu ficar sem empregada, mas admite que ''desanima'' ao pensar em iniciar o processo de contratação e treinamento de uma nova funcionária. ''Está difícil encontrar quem se disponha a trabalhar pelo salário mínimo regional do Paraná. Além disso, não é fácil contratar quem seja qualificada. Abri mão de um certo conforto para ter sossego'', diz. (C.A.)

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