De acordo com lista divulgada nesta segunda-feira (20) pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), a Operação Carne Fraca envolve 21 estabelecimentos, sendo que a maioria (18), está localizada no Paraná. Outros dois estão em Goiás, e um em Santa Catarina. Pelo menos seis estão na região Norte do Estado: Frigorífico Oregon (Apucarana), Frango a Gosto (Arapongas), Frigomax (Arapongas), Frigorífico Rainha da Paz (Ibiporã), Fratelli/ E. H. Constantino (Londrina) e Indústria de Laticínios S.S.P.M.A (Sapopemba). Big Frango (Rolândia) aparece na lista como Seara.
No despacho do juiz federal Marcos Josegrei da Silva, da 14ª Vara Federal de Curitiba, há trechos de conversas obtidas por interceptação telefônica e outras informações que revelam em partes como o chefe da Utra Londrina, Juarez José Santana, e fiscais da unidade agiam para obter favorecimento ilícito em troca de vantagens às empresas fiscalizadas. O nome das empresas da região aparecem nas escutas.
Santana exige do frigorífico Fratelli/E.H. Constantino, de Londrina, por exemplo, dois pares de botas de borracha para funcionárias das lojas Subway que usa como fachada para lavagem de dinheiro. "Além dos produtos alimentícios e dinheiro exigidos por Juarez de empresas sob fiscalização do Mapa, chegou ele ao extremo de requisitar ao funcionário Marco Aurélio Comunello, do frigorífico Fratelli/E.H.Constantino, dois pares de botas de borracha, modelo cano baixo e números 38 e 40, para serem utilizadas por funcionárias em suas lojas Subway (...), consoante se vê dos diálogos com o sobredito funcionário e com Maria, funcionária do Subway", diz o despacho do juiz.
Santana também contaria com a ajuda de funcionários ligados ao Ministério para a execução do esquema. Gercio Luiz Bonesi, fiscal federal agropecuário do Mapa em Londrina, aparece em ligações telefônicas com Santana e com Nilson Umberto Sacchelli Ribeiro, do frigorífico Frigobeto, sobre "a troca de um papel em um processo do Mapa para obter algum favorecimento referente à liberação de abate de cavalos, em prol do Frigorífico Oregon", conforme diz o despacho.
Segundo o despacho do juiz, Santana contaria com a ajuda até mesmo de pessoas de fora do órgão do Mapa em Londrina para a sua atuação ilícita. Roberto Brasiliano da Silva (vulgo Brás), ex-assessor parlamentar do ex-deputado pecuarista José Janene e candidato a vereador em Londrina pelo PEN em 2016 seria um dos principais colaboradores de Santana.
No frigorífico Rainha da Paz, Brás exige dinheiro de funcionária do frigorífico Frigomax (Arapongas) através de SMS. "Brasiliano: to em Maringa posso passar ai la pelas duas da tarde o homem tá na minha cola... Kelly: O que eu mais queria era ter dinheiro pra pagar todo mundo q ta na minha cola tbm nao é só vc é um monte. Brasiliano: Valeu Kelly me perdoe mas sabe cume ne???."
Em conversa com Santana, conforme o despacho, Brasiliano é orientado a "fazer as visitas" às empresas após o feriado. "Juarez (...) orienta seu subordinado Brasiliano a 'fazer as visitas' nas empresas após o feriado, porque como na semana do feriado estará tudo meio parado pode não 'render frutos', referido-se abertamente ao recebimento de propinas."
Brasiliano também teria tentado entrar em contato por telefone com o sócio do Frigorífico Rainha da Paz, Valdecir Belancon, que tem pedido de prisão preventiva e e foi orientado a "buscar o dinheiro" no dia seguinte. Conforme o documento do juiz, depois de ter obtido o dinheiro com Belancon, Brás entra em contato com Santana para fazer a entrega da propina. "Não há dúvidas acerca do recebimento de propinas em dinheiro vivo por parte de Braz, que as recolhe em nome de Juarez, entregando-o os valores logo após o recolhimento."
A reportagem não conseguiu contato com as empresas envolvidas. (M.F.C.)

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