O Brasil apresentou à Argentina proposta de inclusão do açúcar no Mercosul com uma redução tarifária que deverá chegar a eliminar totalmente a tarifa argentina de importação para o produto brasileiro em 31 de dezembro do próximo ano. O embaixador José Botafogo Gonçalves, entretanto, afirmou sexta-feira no fim da reunião sobre o regime automotivo, que as carrocerias de caminhão, máquinas agrícolas e as autopeças de reposição continuam incluídas no intercâmbio compensado com a Argentina, embora ainda reste negociar a forma.
O governo brasileiro também apresentou uma relação de 15 medidas alfandegárias argentinas que impõe barreiras ao ingresso de produtos brasileiros nesse mercado e, por sua vez, recebeu dez reclamações do governo do presidente argentino, Fernando de La Rúa, por causa de barreiras alfandegárias a seus produtos.
Botafogo reuniu-se com a secretária da Indústria argentina, Débora Giorgi, para tentar desobstruir o principal obstáculo que impede os dois países de concluírem definitivamente o regime automotor que entrará em vigor em 31 de dezembro de 2005. O principal entrave é a intenção do Brasil de retirar do intercâmbio compensado, acordado em março em Buenos Aires, três setores: maquinário agrícola, carrocerias, chassis e autopeças de reposição.
O governo argentino manteve a posição de não concordar com a retirada, a que, finalmente, o Brasil aceitou. Dessa forma abrem-se agora as negociações sobre de que forma esses três setores serão incorporados ao intercâmbio compensado.
A dificuldade ocorre porque o Brasil exporta para a Argentina US$ 250 milhões por ano em maquinário agrícola, carrocerias e chassis de caminhão, enquanto que, na Argentina, não há esse tipo de produção, dificultando o comércio compensado entre os dois.

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