A Associação Comercial do Paraná (ACP) fez ontem uma previsão pessimista sobre a situação do comércio varejista no Estado com as novas medidas econômicas anunciadas pelo governo federal. Segundo a entidade, os reflexos negativos serão sentidos tanto no índice da inadimplência, que poderá ter aumento de 10% no próximo mês, quanto na queda das vendas estimada em 20% e no volume de contratações. O que mais preocupa os lojistas é perder a clientela que cada vez mais engrossa as listas do Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC).
O que mais pesa para o comércio é taxa de juros elevada, que passou de 19% para 29,7% na última sexta-feira, um dia após a divulgação da nova redução da TBC (taxa de crédito ao consumidor). A taxa é menor em relação à de outubro do ano passado, quando houve um aumento para 43%, mas ainda assim representa um entrave para as vendas. Com o percentual alto, o consumidor encontra dificuldade para pagar as contas.
‘‘O setor bancário deve reduzir de 30% a 50% o crédito a pessoa física e isso terá reflexo imediato no acerto de contas’’, afirmou ontem o presidente da ACP, Jonel Chede. As lojas repassam para o consumidor o juro aplicado pelo sistema financeiro.
A estimativa feita pela Associação é que com a crise, os lojistas vão reduzir o número de empregados e deixar de contratar o mesmo volume de mão-de-obra temporária para o final do ano. ‘‘O último trimestre do ano é o período no qual mais se contratam funcionários devido ao Natal’’, afirmou Chede. (C.M.)

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