Curitiba-Entrar em um fundo de pensão, a exemplo dos planos oferecidos por grandes empresas estatais e multinacionais para seus funcionários, como Banco do Brasil, Itaipu e Volvo, sempre foi uma aspiração dos trabalhadores do setor privado. Restrito a cerca de 2,3 milhões de participantes em todo País, desde 2001, a legislação passou a permitir a criação de fundos multipatrocinados, ou seja, com a participação de muitas empresas de pequeno e médio porte, permitindo que seus funcionários tenham os mesmos privilégios antes restritos a essas poucas empresas.
Dentro dessa nova legislação, a Associação Comercial do Paraná (ACP) lançou, ontem, o ACPrev, um plano de previdência privada da entidade, aberto à participação dos proprietários das 8 mil empresas afiliadas no Estado e seus cerca de 200 mil funcionários. Criado em parceria com o Fundo Paraná de Previdência Multipatrocinada, empresa criada pelo grupo J Malucelli, o plano é um dos primeiros do gênero na América Latina.
Segundo o vice-presidente da ACP, Cesar Luiz Gonçalves, a grande vantagem desses planos associativos é que eles têm custos menores do que os planos de previdência privada oferecidos por bancos e companhias de seguros. O presidente da J.Malucelli Previdência, Renato Follador, esclarece que o plano só pode ser criado por entidades representativas, como é o caso da ACP. Por meio dela, seus associados podem aderir ao plano.
''A diferença é que trata-se de uma parceria entre duas instituições sem fins lucrativos'', afirmou o presidente do Fundo Paraná Luis Cesar Miara, ressaltando que qualquer instituição de classe pode oferecer um fundo semelhante para sua categoria. ''Quanto mais gente aderir ao plano, menor serão os custos de administração'', destacou.
Segundo Follador, a grande diferença entre esse tipo de fundo e o Plano Gerador de Benefício Livre (PGBL), o plano de aposentadoria privada mais comum oferecido por bancos e seguradoras, é a taxa de administração. No fundo multipatrocinado ela fica em 1,2% ao ano contra cerca de 3,2% a 3,5% ao ano no PGBL. Como exemplo prático, citou o caso de duas pessoas com 30 anos, que contribuirão por 25 anos com a finalidade de se aposentar aos 55 anos recebendo R$ 1 mil mensais. Pelo ACPrev, esse segurado terá que contribuir com o fundo com R$ 229 por mês. Já pelo PGBL, sua contribuição mensal será de R$ 314, o equivalente a 34% a mais.

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