O acordo de redução de salário e jornada de trabalho firmado entre metalúrgicos e indústria de autopeças em São Paulo funcionará como um freio no crescimento da taxa de desemprego, que em outubro atingiu 5,71%, segundo Pesquisa Mensal de Emprego (PME) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Em São Paulo, o índice foi de 6,68%, mas não representa a maior taxa de desemprego do ano: em julho chegou a 7,09%. ‘‘Temos de avaliar o peso do setor de autopeças no cenário geral, mas a indústria de São Paulo certamente tem impacto grande no cálculo’’, afirma Shyrlene Ramos de Souza, coordenadora do Departamento de Emprego e Rendimento do IBGE.
O índice de desemprego de outubro nas seis regiões metropolitanas pesquisadas (Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre) foi maior do que o registrado em setembro (5,63%) e também superior ao de outubro do ano passado (5,14%).
Apesar da pequena diferença, o fato de ter crescido o número de desempregados é um fator preocupante, já que uma característica de outubro é a redução no desemprego, especialmente por causa dos trabalhos temporários de fim de ano. ‘‘Com o aumento das taxas de juros, o consumidor está mais reticente em onerar o orçamento e isto com certeza irá comprometer o desempenho dos setores de comércio e serviços’’, diz a coordenadora.
São Paulo e Rio de Janeiro puxaram o desemprego nacional. No Rio, a taxa de 4,04% foi a maior desde maio de 96, quando chegou a 4,26%. O pacote fiscal do governo baixado em final de outubro ainda não trouxe reflexos sobre o nível de emprego, mas a avaliação da equipe técnica do IBGE é de que o impacto seja sentido nos meses de dezembro e janeiro.
‘‘A tendência é de que o desemprego continue crescendo, mas medidas como esta da redução de jornada podem trazer reflexo positivo, ainda mais se forem estendidas a outros segmentos, embora também representem perda de rendimento’’, diz a coordenadora. A previsão do IBGE é de que este ano o índice de desemprego fique em torno de 6%, taxa superior aos 5,42% de 1996. ‘‘A redução dos salários é uma forma de socializar entre a classe trabalhadora o custo do desemprego’’, diz ela, que acredita na adoção da medida em outros segmentos da economia daqui para a frente.

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