A necessidade de manter o emprego obriga o assalariado a ser mais flexível nas negociações com o empregador. É isso o que ocorreu no setor de autopeças, em que houve um acordo para redução de jornada em até 25% e de salário em até 10% em troca de estabilidade no emprego. Essa mesma linha de negociação poderá ser adotada na indústria de construção civil e eletroeletrônicos. O acordo foi firmado entre o Sindipeças, que representa as indústrias do setor, e a Força Sindical.
Na análise do coordenador de Produção Técnica do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Antônio Prado, os setores industriais mais afetados pela crise, em São Paulo, são os de metalurgia, produtos químicos e borracha. Nos setores de alimentação e gráfico, que criaram alguns empregos antes da alta dos juros, existe possibilidade de sustentação. Mas todos os demais setores industriais e de serviços serão afetados pela crise. O comércio, que oferece empregos temporários nesta época, deve cancelar alguns contratos.
Dentre as sete regiões metropolitanas pesquisadas pelo Dieese, a situação mais grave está sendo enfrentada por Salvador e Belo Horizonte. São Paulo está em terceiro lugar. A partir de abril, a economia poderá ganhar fôlego com queda dos juros.
Para Julio Lobos, consultor especializado em relações trabalhistas, a retomada da economia só vai ocorrer quando a crise no mercado asiático for superada. Até lá, o desemprego deve aumentar nas indústrias de carro, aço e eletroeletrônicos. Em contrapartida, pode haver crescimento econômico nos setores ligados à exportação, à agroindústria e aos serviços de telecomunicação.

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