Curitiba Três indústrias de grande porte de Curitiba, do setor metalúrgico, fecharam acordos vantajosos que beneficiaram cerca de 5 mil trabalhadores. Ontem, as empresas Case New Holland, New Hubner e Bosch, melhoraram suas propostas no momento em que os trabalhadores estavam decidindo pela paralisação total. As empresas cederam e optaram por negociar um acordo com os trabalhadores para evitar as greves que ameaçavam pipocar no setor, disse o diretor do Sindicato dos Metalúrgicos de Curitiba e Região, Clementino Tomáz Vieira.
''Uma greve agora iria desencadear reações em cadeia que seriam prejudiciais a todo o setor automotivo nacional, já que a New Hubner e Bosch são fornecedoras de peças nacionais'', destacou Vieira. Segundo o diretor do sindicato, as propostas apresentadas pelas três empresas superaram, em vantagens, os acordos recentemente fechados com as montadoras do pólo automotivo da Região Metropolitana de Curitiba.
O próximo passo é estabelecer uma pauta de negociações com o Sindimac e Sindimetal, sindicatos que reúnem as indústrias metalúrgicas e de máquinas de médio e pequeno porte. Segundo Vieira, haverá uma assembléia na segunda-feira para abertura das negociações com os sindicatos patronais. A expectativa do sindicato é levar os benefícios dos acordos salariais com as empresas, para cerca de 35 mil trabalhadores.
A Case New Holland concedeu um abono de R$ 400 em dinheiro e mais R$ 200 em vales-mercado para todos os trabalhadores. Concordou em pagar as horas que excedem o período de 42 horas semanais até dezembro de 2004, mas não negociou a redução da jornada. Também se comprometeu a pagar 100% da inflação na data-base, que é dezembro.
Na New Hubner foi preciso uma paralisação de três horas para a diretoria negociar. A empresa concordou em conceder um abono único de R$ 360 e antecipação de R$ 250 a título de Participação nos Lucros e Resultados (PLR), independente do cumprimento de metas de produção. Concordou com a reivindicação de reduzir o desconto do vale transporte. O desconto passa a ser simbólico, no valor de R$ 5, o que dá um ganho real de 5,01% para a massa salarial da empresa. A companhia concordou em abrir negociação para redução da jornada de trabalho e também se comprometeu a pagar a inflação integral na data-base.
Na Bosh, o acordo foi semelhante. A empresa negociou na última hora em que os 3,2 mil trabalhadores se preparavam para a paralisação geral. Foi concedido um abono geral de R$ 600 e acordado a redução da jornada de trabalho de 44 para 42 horas semanais mais um abono no valor de R$ 400, correspondente ao pagamento das duas horas que os metalúrgicos se comprometeram em trabalhar a mais até janeiro de 2004. Também deram uma garantia de R$ 1,4 mil de PLR, sendo a primeira parcela, no valor de R$ 1 mil que será paga no mês que vem. Haverá ainda o repasse da inflação integral na negociação da data-base para os trabalhadores com salário até R$ 2,8 mil.

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