Acordo viabiliza crescimento, justifica Malan aos senadores
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terça-feira, 14 de agosto de 2001
Agência Estado<BR>De Brasília 
Sem o acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), o Brasil teria um menor índice de crescimento, mais inflação e taxas de juros mais altas no ano. Este foi o argumento usado pelo ministro da Fazenda, Pedro Malan, ontem, durante depoimento na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal, tentando amenizar o tom de crítica que os partidos de oposição assumiram desde o anúncio do acordo na semana passada. Segundo o ministro, o crescimento deste ano ficará ''entre 2,7% e 2,8% e no próximo ano será de 3,5%''.
Em resposta aos ataques que o governo tem sofrido da oposição por causa do acordo, Malan disse que há uma interpretação errada. Segundo ele, os critérios de desempenho previstos no acordo, que significam as metas que o País é obrigado a cumprir para assegurar os desembolsos, ''às vezes são entendidos como uma tendência de achar que qualquer número serve como exigência de alienígena''. E selou a frase garantindo que para o Brasil há conjuntos de três letras mais importantes que ''FMI''. São eles, LRF e LDO, numa referência às leis de Responsabilidade Fiscal e de Diretrizes Orçamentárias.
Ao seu lado, o presidente do Banco Central, Armínio Fraga, assegurou que o acordo e os recursos do FMI farão com que os custos da atuais crises que o Brasil atravessa, como a crise de energia e os efeitos dos problemas argentinos, sejam ''os menores possíveis''. Segundo Fraga, se mesmo em momentos de crise, como o atual, o Brasil ainda está com perspectiva de crescimento, é possível afirmar que ''em um ambiente mais favorável o País vai deslanchar''.
O ministro também fez questão de assegurar que houve um engano no entendimento do acordo. Isso porque, segundo ele, embora estejam previstas metas de inflação de 5,8% para este ano, com variação de dois pontos para cima e dois para baixo, ''isso sequer é critério de desempenho''. E destacou que ''a meta continua sendo de 4%''.
Em uma rápida apresentação, o ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão, Martus Tavares, repetiu as palavras do presidente Fernando Henrique Cardoso de que, apesar da necessidade de se aumentar o ajuste, com um corte adicional de R$ 10 bilhões este ano e no próximo, não haverá aumento da carga tributária.
Ao questionamento do senador Ademir Andrade (PSB-PA), que assinou o requerimento para a equipe econômica prestar esclarecimentos sobre o acordo e a carga tributária, o ministro Malan fez questão de responder. E disse que também acha a carga tributária do Brasil alta.


