A Varig e a United Airlines assinaram ontem, no Rio de Janeiro, um acordo de cooperação internacional que vai permitir aos passageiros das duas empresas no Brasil e nos Estados Unidos maior abrangência de destinos em todos os continentes. O acordo, que entra em vigor em 26 de outubro, é apontado pelo presidente da Varig, Fernando Pinto, como o primeiro passo para uma integração global com outras empresas, no mundo todo.
O acordo, no sistema ‘‘code-share’’, representa um avanço em relação às formas de cooperação praticadas pela Varig. Até agora, a empresa fazia uma simples troca de assentos com outras empresas, restrita em número e até em colocação de lugares nas aeronaves. Para os EUA, por exemplo, a empresa opera nestes termos, até outubro, com a Delta.
‘‘O acordo com a United prevê uma atuação conjunta no mercado, utilização comum de facilidades e uma integração gradativa dos sistemas’’, disse Pinto. Cada empresa venderá assentos nos vôos da outra. O sistema inclui também o transporte de cargas.
Segundo o vice-presidente da United, Christopher Bowers, o principal benefício do acordo para os passageiros é o aumento na oferta de destinos nos EUA e no Brasil, além de maior número de opções de vôos entre os dois países. A Varig mantém 43 vôos semanais do Brasil para os EUA e a United, 28.
A Varig participará, através de ‘‘code-share’’, dos vôos da United a partir de Nova York, Miami e Chicago para São Paulo e de Nova York e Miami para o Rio. A United vai participar, no mesmo sistema, de vôos operados pela Varig do Rio e de São Paulo para Los Angeles, Miami, Nova York, Orlando e Atlanta.
Além do maior número de opções de vôos e destinos, os passageiros também terão participação conjunta nos programas de milhagem das duas companhias e ‘‘check-in’’ único para todo o percurso.
Menores custosSegundo Pinto, o acordo resultará numa redução ainda não estimada de custos operacionais para as duas empresas. Mas, de acordo com ele, o principal ganho será de receita. Pinto estima que Varig e United terão crescimento de 8% a 10% nas vendas, no primeiro ano de operação conjunta.
Apesar dessa previsão, o presidente da Varig demonstrou preocupação com o excesso de oferta nas rotas entre Brasil e EUA. Segundo ele, a abertura do mercado deve colocar alguns vôos ‘‘no vermelho’’ durante algum tempo.
O acordo entre as duas companhias não terá reflexos sobre os preços das passagens aéreas nos vôos entre Brasil e EUA. ‘‘As leis ‘antitrust’ americanas não nos permitem pensar em tarifas únicas’’, disse Bowers.
A United é uma das maiores companhias de transporte aéreo do mundo. Realiza mais de 2.200 vôos diários para 136 destinos, em 30 países e dois territórios dos EUA. O faturamento da América Latina representa 6% para a empresa. Para a Varig, principal do setor na AL, o mercado dos EUA significa 30% das vendas internacionais.
Pinto não apontou novos mercados visados pela Varig nem detalhou investimentos. Mas destacou que Curitiba, por exemplo, ‘‘é uma cidade importante dentro do sistema Varig.’’ Dentro de pouco tempo, a empresa deverá operar novos vôos internacionais na Capital, além de Buenos Aires e Assunção.

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