Arquivo FolhaPotência americanaZona livre da América do Sul terá mercado de 300 milhões de consumidores e um PIB de US$ 1,3 bilhãoOs países do Mercosul (Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai) e os da Comunidade Andina (Venezuela, Colômbia, Peru, Equador e Bolívia) vão dar hoje o primeiro passo para criar a maior zona de livre comércio da América do Sul. O acordo - embora ainda não venha a ter significado operativo - deve fortalecer a região nas negociações para a criação da futura Área de Livre Comércio das Américas (Alca), que será lançada neste final de semana em Santiago, durante a reunião de cúpula de 34 nações das duas Américas.
O acordo entre o Mercosul e a Comunidade Andina será assinado em Buenos Aires pelo ministro de Indústria e Comércio do Brasil, embaixador José Botafogo Gonçalves, e pelos ministros de Relações Exteriores dos outros oito países. O documento permitirá a criação de um órgão executivo responsável para monitorar as condições de intercâmbio comercial entre os dois blocos econômicos, passo prévio às negociações que darão lugar, a partir do ano 2002, a um mercado de mais de 300 milhões de consumidores e um Produto Interno Bruto (PIB) superior a US$ 1,3 bilhão.
Segundo uma alta fonte do Itamaraty, o acordo de Buenos Aires não vai apenas definir a agenda de discussões, mas determinar como serão feitas as negociações. Nos seis primeiros meses, por exemplo, já será possível chegar a um consenso sobre a pauta e, depois, entrar no aspecto técnico sobre tarifas de produtos que já são comercializados entre as duas regiões. ‘‘Depois de superada essa fase, será a vez dos produtos que não fazem parte da pauta de comércio entre os países das duas regiões’’, explicou a fonte do Itamaraty.
É provável, por exemplo, que muitos desses produtos recebam um tratamento tarifário preferencial. Os acordos negociados até agora, por exemplo, contemplam mercadorias com alíquotas de importação especiais. Em função do acordo que será assinado em Buenos Aires, o Mercosul decidiu ampliar em três meses o prazo do acordo de preferências acertado bilateralmente com os países andinos. Os prazos desses acordos bilaterais terminaria no dia 30 de junho. Espera-se que até o ano 2000 o acordo comercial entre os dois blocos seja igual ao já existente entre o Mercosul, a Bolívia e o Chile.
‘‘Se esse acordo não fortalecer o poder de negociação dos países latino-americanos na Alca, pelo menos vai mostrar a capacidade de organização que existe na região’’, afirmou a fonte do Itamaraty.
Embora a Comunidade Andina venha enfrentando alguns problemas de concepção comercial, prejudicada ainda mais com a saída do Chile há alguns anos e com as constantes indefinições do Peru, os presidentes da Bolívia, Colômbia, Equador, Peru e Venezuela, decidiram acelerar o desenvolvimento de seus setores agroindustrial e agropecuário, além de harmonizar gradualmente as suas políticas econômicas e sociais.
Desde sua criação, há mais de três decadas, quando nasceu como Pacto Andino, o bloco regional foi constantemente prejudicado pela sequência de governos militares nesses países. Por isso, a metas dos andinos será agora a de tentar consolidar sua total integração e apresentar-se ao mundo como um bloco forte e unido. Os cinco países têm um PIB de quase US$ 250 milhões e uma população pouco superior a 100 milhões de habitantes que moram numa extensão de 4,7 milhões de quilômetros quadrados.
Nos últimos 8 anos, a Comunidade Andina teve um incremento considerável de seu comércio. De 1990 até o ano passado, o intercâmbio comercial entre os cinco países praticamente quintuplicou, chegando a US$ 6,9 bilhões. Até o ano 2000, a Comunidade Andina espera chegar a um comércio interregional de pelo menos US$ 10 bilhões, metade do comércio no Mercosul. A maior parte do comércio andino se refere a produtos manufaturados.
No bloco, a Colômbia tem apresentado melhores resultados em seu comércio. Já a Bolívia apresentou resultados mais fracos, pelo menos no último ano. Em 97 os colombianos venderam a seus parceiros do bloco US$ 2,2 bilhões e importaramu US$ 1,9 bilhão. A Bolívia exportou apenas US$ 250 milhões e comprou US$ 166 milhões. Apesar das diferenças entre esses dois países, a Bolívia e a Colômbia devem ser os únicos a apresentar crescimento em seu PIB este ano.
A economia boliviana deve ver pular o seu PIB de 4,5%, em 1997, para pelo menos 7,6% e a Colômbia de 3,2% para 4,5%. Já o Peru deve apresentar um recuo no crescimento de sua economia, passando de 7,6%, em 1997, para 5%, a Venezuela de 5,1% para 4,5% e o Equador de 3,3% para 2,8%, segundo projeções dos governos desses países.

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