Acordo traz alívio a Argentina. Semana terá onda de protestos
Começam hoje na Argentina dois dias de protestos contra o ajuste fiscal. Hoje será a vez da Associação de Trabalhadores do Estado (ATE), que realizará uma greve de 24 horas. Os funcionários programam uma marcha às 15h, desde o Congresso Nacional até a Praça de Mayo, diante da Casa Rosada, a sede do governo. Além disso, tomarão as sedes de diversos organismos públicos.
Estão previstos fortes protestos no interior, em cidades de Rosário, Córdoba, Neuquén e La Plata, cujos governos aplicaram fortes ajustes orçamentários nos últimos meses. Os funcionários públicos federais sofrerão a partir deste mês uma redução de 13% em seus salários. No total, 250 mil pessoas da estrutura de administração federal sofrerão de forma direta o impacto desta redução. A estes soma-se 1 milhão de aposentados, que possuem aposentadorias superiores a US$ 300.
Do ajuste salvam-se 2,3 milhões de aposentados, que mesmo sem sofrer o ajuste do governo, precisam sobreviver mensalmente com menos de US$ 300 em um país onde o custo de vida é elevado.
Amanhã será a vez de uma greve geral em todo o país, convocada pelas três centrais sindicais argentinas: a Confederação Geral do Trabalho (CGT) oficial, a Confederação Geral do Trabalho (CGT) dissidente e a Central dos Trabalhadores Argentinos (CTA).
O apoio conseguido pelo governo argentino dos governadores das províncias de oposição provocou ontem a maior queda proporcional desde fevereiro de 1999 no índice de risco-país da Argentina, o principal termômetro da desconfiança dos investidores sobre a saúde financeira do país. O índice chegou ontem ao final do dia em 1.439 pontos (sobretaxa de 14,39% nos empréstimos ao país em relação ao que pagam os EUA), numa queda de 190 pontos em relação ao fechamento do dia anterior. Ainda assim, o índice permanece num nível muito acima do maior que já havia sido registrado até a semana passada, de 1.284 pontos (abril).
Segundo alguns bancos, ontem também houve uma redução no ritmo de perdas de depósitos bancários. O mercado local apresentou indicadores bem menos catastróficos. As taxas de juros cobradas nos empréstimos interbancários caíram para 16%, depois de terem atingido 350% na sexta-feira. A Bolsa argentina refletiu o clima mais favorável: fechou com valorização de 4,84%.





