O governador de São Paulo, Mário Covas (PSDB), admitiu ontem que o Estado perderá o controle acionário do Banespa com o fechamento da negociação das dívidas globais de São Paulo com o Ministério da Fazenda. O ministro da Fazenda, Pedro Malan, estará em São Paulo hoje para assinar o acordo. ‘‘O que faremos não é bem federalização, é venda’’, disse Covas. ‘‘Nas bases do acordo, o mais provável é que o Banespa deixe de ser do estado.’’
O Estado tem hoje 67% das ações do banco, mas irá se desfazer da maioria desse patrimônio. Segundo o governador, o valor de venda das ações não será definido imediatamente, mas apurado quando o banco já estiver saneado. Covas explicou que o que acontecerá com o Banespa pode ser considerado federalização apenas se o governo federal decidir assumir a propriedade do banco.
‘‘Mas não vou falar mais sobre isso porque não gostaria que quem terá de dar a última palavra a respeito do tema, como a Assembléia Legislativa, tivesse notícias pelo jornal.’’. As declarações de Covas foram dadas no encerramento da reunião-almoço promovida pela Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) para discutir o programa de desestatização e parceria do estado com a iniciativa privada.
A negociação fechada entre Estado e União prevê a terceirização da administração do Banespa por 12 meses para que seja preparada a venda do banco, prevista para o fim de 1997. Nesse momento, caso disponha de recursos suficientes, o estado deverá ter direito de readquirir o Banespa. ‘‘Não sei se teremos condições para isso, mas enfim’’, lamentou Covas.
Na avaliação do governador, o acordo é ‘‘o possível’’ diante do quadro de endividamento do Estado. ‘‘Evidentemente eu gostaria de fazer uma coisa muito melhor, assim como o governo federal queria algo melhor para o lado dele’’, comentou. ‘‘Fato é que dois problemas estão acima do que prefiro em relação ao Banespa: a preservação do banco, que tem milhares de funcionários, e a solução do problema de endividamento de São Paulo.’’
Covas lembrou a proposta de pagamento da dívida do Estado com o banco com a venda de ativos e financiamento federal para afirmar que não está ‘‘abrindo mão’’ do Banespa porque tentou pagar o débito.
Há dois meses, depois de definidas as rolagens das dívidas de estados como Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Alagoas, o governo paulista foi chamado a negociar com o Ministério da Fazenda. O acerto inclui a rolagem de aproximadamente R$ 43 bilhões: são R$ 19 bilhões com Banespa, outros R$ 19 bilhões da dívida mobiliária e mais R$ 4,5 bilhões da Nossa Caixa.

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