Agência Estado
De Brasília
A Agência Nacional do Petróleo (ANP) assina hoje com os sindicatos de distribuidoras e do comércio varejista de combustíveis um acordo que suspenderá por um ano a implantação dos serviços de auto-atendimento (self service) na rede de 27 mil postos de combustíveis do País. A cerimônia ocorrerá no Palácio do Planalto, na presença do presidente Fernando Henrique Cardoso, e visa garantir a manutenção de 330 mil empregos.
O acordo passa a vigorar a partir de hoje, e em setembro do ano 2000 deverá ser revalidado por mais um ano. Segundo uma nota distribuída pelo Ministério de Minas e Energia, a medida faz parte da política governamental de geração e manutenção dos empregos no País.
Estudos do governo indicam que 30 mil postos de trabalho seriam extintos em 12 meses se a implantação do sistema de auto-atendimento não fosse interrompida. O acordo poderá incluir os cerca de 300 postos onde o serviço de auto-atendimento já existe. O governo e os sindicatos estudam a reconversão destes postos para o serviço tradicional, com frentistas. Assim, espera-se a recriação de 3 mil empregos que já haviam sido eliminados.
O presidente da Federação Nacional do Comércio Varejista de Combustíveis (Fecombustíveis), Luiz Gil Siuffo, anunciou na semana passada, em audiência pública na Câmara dos Deputados, ser contra o sistema.
Ele acredita que em um primeiro momento poderia beneficiar o consumidor, mas depois este benefício seria revertido, pois boa parte dos estabelecimentos acabaria tendo os dois serviços paralelos. Ele lembrou que o serviço é proibido no Japão.
A direção da Shell disse que é contra o funcionamento dos postos em sistema self service por causa do aumento de desemprego. ‘‘Queremos retirar o self service devido ao problema do desemprego, mas se as outras companhias mantiverem, teremos de continuar com ele’’, afirmou o presidente da empresa, David Pirrret, pouco antes do acordo firmado.
Segundo o executivo, os postos em que o próprio cliente se serve têm uma economia de R$ 0,04 por litro de combustível vendido. Atualmente, dos 4 mil postos da Shell no Brasil, cerca de 50 são de auto-serviço, mas agora terão que ser convertidos.

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