O ministro do Trabalho, Francisco Dornelles, anunciou ontem que irá submeter a uma auditoria independente a solução discutida entre governo, trabalhadores e empresários para o pagamento da correção dos expurgos inflacionários do FGTS. O ministro já recebeu a proposta das centrais sindicais e aguarda a dos sindicatos patronais até o final de dezembro. Dornelles disse ainda que deverá apresentar a contraproposta do governo até o final de janeiro.
Segundo o ministro, a auditoria irá atestar que a solução não quebrará o patrimônio do fundo, dará condições para administrar o rombo estimado de R$ 40 bilhões e permitirá a manutenção de empréstimos do FGTS à construção civil. ‘‘Não tem decisão política nisso: é decisão numérica e perante os números eu me ajoelho’’, justificou o ministro. ‘‘Não há força política que me faça tomar a decisão sem a lógica dos números’’, acrescentou, afirmando que a auditoria será ‘‘a prova dos nove’’ da solução encontrada.
A Price auditoria, que já faz hoje auditorias para o FGTS, será encarregada por Dornelles de dar o parecer final.
O governo foi derrotado no Supremo Tribunal Federal, que entendeu que era devido o pagamento da correção do expurgos dos plano Collor (mês de abril) e Verão do FGTS – uma correção num total de 68% dos saldos existentes na época (janeiro de 89 e abril 90) e que totaliza o rombo de R$ 40 bilhões. ‘‘É o maior passivo do mundo, equivale a dois anos da arrecadação do ICMS de São Paulo, 13 anos da arrecadação da Bahia e é maior que a arrecadação do Uruguai’’, comparou o ministro.
Dornelles fez questão de explicar, no entanto, que não é preciso ter em mãos os R$ 40 bilhões de uma só vez. ‘‘Não é pensar em dinheiro, mas em creditar nas contas do FGTS’’, disse. ‘‘E o FGTS tem suas regras para os saques’’.

mockup