O Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e a Volkswagen discutiram ontem, por mais de cinco horas, um acordo que deve incluir mecanismos para dispensar gradualmente entre 3,5 mil e 5 mil trabalhadores, e não 10 mil como a montadora chegou a ameaçar. As demissões seriam discutidas com calma, a partir de janeiro, e viriam acompanhadas de outras medidas de cortes de gastos. Até as 21 horas trabalhadores e executivos da empresa debatiam os termos do acordo, sem qualquer previsão sobre o seu fechamento.
O presidente do sindicato, Luiz Marinho, confirmou a disposição de aceitar um pacote de demissões voluntárias, desde que não seja direcionado, ou seja, proposto apenas para funcionários pelos quais a empresa já não se interessa. O sindicalista disse também, antes de entrar para a longa reunião, que um voluntariado para os 5 mil aposentados que estão na fábrica também sofrerá oposição dos trabalhadores.
‘‘Se os aposentados ganhassem bem no País, isso poderia ser discutido, mas não é o caso’’, disse. De acordo com a comissão de fábrica formada para as negociações, apesar das especulações sobre os aposentados, a empresa também não tem interesse nisso: eles são relativamente jovens, na faixa de 45 anos, bem treinados e ocupam postos chaves.
Restaria como opção os que tem interesse em deixar a empresa com indenizações adicionais, para abrir negócios próprios, e trabalhadores de baixa performance. A comissão informou que a montadora teria pronta uma lista com mais de mil nomes de funcionários indesejados. O diretor de recursos humanos da empresa, Fernando Tadeu Perez, não falou com jornalistas antes da reunião, e a informação não pôde ser checada.
De acordo com Marinho, a Volks apresentaria ontem um pacote com corte de gastos, mas ele disse desconhecer os itens. Empregados especulavam sobre o aumento de custo de benefícios, como plano médico (desconto de 1% do salário ao mês), transporte (R$ 11,20) e refeição (R$ 30,00). Marinho afirmou que considera difícil ser esta proposta. ‘‘Já houve ajuste nos preços dos benefícios esse ano’’, disse.
A ameaça de 10 mil demissões foi feita em novembro. A empresa informou que efetuaria o corte, caso os empregados não aceitassem redução salarial de 20% durante três meses.

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