Curitiba Um impasse criado pela Associação dos Postos de Combustíveis de Paranaguá provocou ontem novo fechamento do pátio de triagem do Porto de Paranaguá. Os postos estavam se recusando a trocar as cartas-fretes apresentadas pelos motoristas de caminhões, com o valor das diárias já reajustadas, conforme acordo firmado na noite de anteontem.
A recusa provocou novo protesto dos caminhoneiros e, com isso, a fila de veículos aumentou. Ontem à tarde, ela já estava no quilômetro 120 da BR-277, na saída para a região Norte do Paraná. Só no final da tarde, após entendimento com a Federação das Transportadoras de Cargas do Paraná (Fetranspar), os postos concordaram em pagar a diária e os caminhões voltaram a andar. Se nenhum outro contratempo ocorrer, a expectativa dos caminhoneiros, é que 4 mil veículos possam descarregar soja e farelo no Porto de Paranaguá neste final de semana.
O impasse foi provocado porque a Associação Comercial e Industrial de Paranaguá (Aciap), promotora do acordo, não previu a participação da Federação das Transportadoras de Cargas na negociação. Como cerca de 60% dos caminhões que estão na fila são vinculados às transportadoras, a Associação dos Postos procurou se preservar e só repassava o valor das diárias reajustadas para os motoristas autônomos, já que o Sindicato dos Caminhoneiros Autônomos do Paraná (Sindicam) assinou o acordo.
O coronel Sergio Malucelli, diretor executivo da Fetranspar, criticou o fato de os operadores portuários e a Aciap terem firmado um acordo com o Sindicam, sem chamar o órgão que representa as transportadoras. ''Mas não vamos colocar obstáculos'', disse. Ontem à tarde mesmo, Malucelli garantiu que iria encaminhar documento à Associação dos Postos, autorizando a fazer o pagamento das novas diárias. Com isso, as transportoras se ressarcem junto às companhias exportadoras e cooperativas, que são as entidades que vão arcar com o custo do reajuste das tarifas.
Outro impasse que surgiu entre os motoristas, ontem, é que parte deles não concordava que a diária fosse paga somente após o caminhão passar a praça de pedágio na BR-277, no trecho entre Curitiba e o Litoral. Nessa fase de pico de safra, os caminhoneiros querem que o benefício comece a valer após passar o pedágio de São Luiz do Purunã, no caminho para Ponta Grossa.

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