Acordo poderia resultar em mínimo maior
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sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011
Andréa Bertoldi <br> Equipe da Folha 
Curitiba - O reajuste do salário mínimo para R$ 545,00 poderia ser melhor caso as centrais sindicais e o governo entrassem em um acordo e definissem um aumento real. Os representantes dos trabalhadores tentaram obter um aumento acima da inflação por conta da estagnação do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) que aconteceu em 2009, já que este indicador entra no cálculo para a elevação salarial. Até 2015, o reajuste do mínimo terá a aplicação da inflação dos últimos 12 meses e, sobre este valor, será acrescentada a variação do PIB de dois anos atrás.
O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) estima que as perspectivas para 2012 são bem mais otimistas. O PIB previsto pelo Banco Central (BC) para 2010 é de 7,8%. Caso a inflação feche o ano em 6%, o mínimo de 2012 teria uma correção de 14,27% o que significa um salário de R$ 622,77.
Apesar do aumento, o mínino ainda fica muito abaixo do recomendado pelo Dieese que é de R$ 2.200,00. ''Esse é um valor de referência que será conseguido só no longuíssimo prazo, dentro de 20 ou 30 anos'', estima o economista da entidade, Cid Cordeiro.
Já para o salário regional do Paraná, ele acredita que há espaço para negociar não apenas a reposição da inflação, mas um aumento real. Cordeiro lembra que o salário mínimo nacional tem influenciado as negociações salariais mesmo das categorias que recebem acima de R$ 540,00. ''Nas negociações será olhado o cenário de 2010, ano que registrou 15% de crescimento do comércio, 10% na produção industrial e 7,8% no PIB'', destaca.
O vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Helio Bampi, considera o reajuste para R$ 545,00 adequado à realidade da economia brasileira. ''Caso fosse um aumento maior, ia gerar pressão inflacionária'', argumenta.
O aumento deve trazer impacto para as prefeituras do Estado. O presidente da Associação dos Municípios do Paraná (AMP) e prefeito do município de Castro, Moacyr Fadel (PMDB), acredita que 40% das prefeituras do Estado terão dificuldades iniciais para se ajustarem ao novo valor. Ele lembra ainda que as prefeituras já estão em situação complicada com a redução de 4% nos repasses do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) em 2010.


