Acordo pode gerar inflacão
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quinta-feira, 22 de março de 2001
Vânia Casado De Curitiba 
O acordo do FGTS fechado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso pode ser inflacionário, à medida que o empresário vai repassar o aumento de custos para o preço da mercadoria. Alguns setores vão repassar mais, outros menos, mas em algum momento chegará ao consumidor que terá que arcar com a parcela de custo, prevê o economista Vamberto Santana, professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e assessor econômico da Federação do Comércio do Paraná.
Apesar da pressão inflacionária, Santana não acredita que o empresariado vá deixar de contratar pessoal por causa do aumento do custo do FGTS sobre a folha de pessoal. A contribuição do empresário aumento de 8% para 8,5% ao mês e a multa para demissão de funcionário sem justa causa aumenta de 40% para 50%. Segundo o economista, se a expansão da economia continuar o empresário não vai pensar duas vezes em contratar mais funcionário.
Para o economista Cid Cordeiro do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), o impacto do aumento de custo do FGTS será mínimo na economia. Por outro lado, ele acredita que as empresas conseguirão repassar custos, em função da conjuntura de retormada do consumo, embora este procedimento seja coisa do passado, argumentou.
Segundo o economista, o fato é que as empresas estão tendo uma série de aumentos de outros custos como impostos, tarifas públicas, desvalorização cambial que estão pressionando a estrutra de custos. Por outro lado, as empresas não estão conseguindo repassar esses aumentos em função da queda de renda que o trabalhador teve no ano passado.
Nos últimos anos, o aumento de produtividade, a tecnologia, a competititvidade e a abertura econômica constituem mecanismos que impedem as empresas de repassarem aumento de custos para o preço final dos produtos, como ocorria antes. Basta ver, que as empresas não conseguem mais repassar o aumento do preço da gasolina para os produtos como acontecia antes, disse Cordeiro. De acordo com o economista, hoje o consumidor está mais resistente e não aceita aumento nos preços.
Para o economista Vamberto Santana o governo deveria adotar medidas compensatórias para evitar custo excessivo para as empresas, entre elas o retorno da CPMF ou acesso a financiamentos bancários para empresas que se comprometem a não repassar aumento de custos para as mercadorias.


