Apesar da boa fase da cana-de-açúcar, os preços não seguem o mesmo ritmo. No mês passado, depois de atingir R$ 34,40 a tonelada - um dos menores preços já registrados nos últimos anos - um acordo firmado entre produtores rurais e o setor industrial permitiu uma readequação dos custos para abril. O acerto definiu um reajuste de 5,73%, quando a tonelada deverá ser comercializada por R$ 36,26. ''Estamos com uma defasagem de preços com relação a São Paulo. Esse mês foi atípico'', afirma Paulo Sidney Zambon, presidente do Conselho dos Produtores de Cana-de-Açúcar e Álcool do Estado do Paraná (Consecana).
O conselho foi criado há seis anos para calcular o preço da cana no campo e nas indústrias. A safra será encerrada neste mês. ''A cana leva desvantagem no preço porque a produção é comercializada aos poucos'', diz Zambon. Além disso, a cultura foi prejudicada devido à estiagem que atingiu o Estado entre outubro e novembro. ''O clima seco fez com que caísse a qualidade'', disse. A safra 2006/07, que será encerrada em abril, deverá colher cerca de 32 milhões de toneladas de cana-de-açúcar.
Segundo Adriano da Silva Dias, superintendente da Associação de Produtores de Álcool e Açúcar do Estado do Paraná (Alcopar), lembra que o aumento da área plantada amplia o período de moagem nas indústrias. Se as usinas antecipam a safra, por exemplo, o rendimento da cana cai entre 25% e 30%. Mas para este ano, o segmento trabalha com crescimento de 15% da produção. A expectativa é que a colheita atinja 37 milhões toneladas de cana.
''Mesmo com o crescimento do etanol, a margem de lucro das usinas é pequena. As indústrias têm que ter escala de produção para ser viabilizada, se não tiver não fecha os custos'', observa Dias. O crescimento do número de usinas, de 27 para 29 neste ano, é credita ao potencial do etanol e às regras do mercado. ''O crescimento desordenado de usinas é preocupante, mas no Paraná isso não tem ocorrido porque a expansão está sendo bem planejada'', argumenta.
Segundo ele, o parque industrial paranaense produz 49% de álcool e 51% de açúcar. ''Todo ano esses índices são revistos conforme as leis do mercado'' comenta o superintendente da Alcopar. (F.M.)

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